Desastre ambiental de Mariana: A importância de conciliar uma consciência ambiental e desenvolvimento

Enviada em 29/10/2020

Com o advento da Revolução Industrial, novas práticas para exploração da natureza foram desenvolvidas e aprimoradas visando o lucro. No entanto, a maioria dos métodos geralmente afeta o meio ambiente ocasionando a origem de desastres ambientais e com eles consequências que podem ser irreversíveis. Essa problemática é potencializada em virtude da negligência governamental e das condutas de empresas que priorizam o lucro em vez da regularidade do âmbito natural.

Vale ressaltar, em primeiro plano, que uma má gestão estatal está intrinsecamente relacionada com a falta de fiscalização e origem de impactos ambientais que tem por consequência danos, como: poluição, desestabilização da fauna e flora, morte de pessoas, além de prejuízos econômicos e entre outros. Em concomitância, o sociólogo Pierre Bourdieu afirma que, aquilo que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Com isso, nota-se que sem a responsabilidade que se espera do Estado, não haverá o cumprimento do código de segurança e precaução pelas firmas e os desastres ambientais serão inevitáveis e suas consequências consolidadas.

Além disso, é evidente que o menosprezo de funções e deveres pela maioria das empresas que lidam com atividades relacionadas ao âmbito natural, além de potencializarem o surgimento desses acidentes aumentam a gravidade das consequências. Sob tal ótica, Daniel Goleman, psicólogo estadunidense, afirma que há uma autoilusão de que as ações na vida material não terão seus efeitos. Em vista disso, é observável instituições negligentes que não possuem ou não se importam com as medidas preventivas e nem detém um plano de ação em caso de desastres. Sendo assim, tragédias como o deslizamento da barragem de Mariana, Minas Gerais, voltam a acontecer, ou seja, sem responsabilidade por parte das corporações a sustentabilidade se torna inviável e os danos cada vez mais irreversíveis.

Diante dos fatos, é notório a relevância de práticas sustentáveis para amenizar e evitar os efeitos dos desastres ambientais. Para que isso ocorra, é dever do Estado, intermediado pelo Ministério do Meio Ambiente e em parceria com a iniciativa privada, propor um sistema de fiscalização de métodos danosos para o âmbito natural. Esse será realizado por meio de agentes capacitados pelo governo , que promoverão encontros com empresas e incentivarão a sustentabilidade. Ademais, incentivarão uma reflexão sobre as consequências dos atos antrópicos e assim, com tais ações será possível a construção de uma sociedade consciente e que não prioriza o lucro em detrimento de questões ambientais.