Desastre ambiental de Mariana: A importância de conciliar uma consciência ambiental e desenvolvimento
Enviada em 06/06/2021
Policarpo Quaresma, protagonista da obra-prima de Lima Barreto, era um nacionalista extremado que sonhava com mudanças utópicas para o Brasil e morreu frustrado ao ver que elas não aconteceram. Se vivesse hoje, por certo se decepcionaria ao notar que a sociedade pouco avançou no sentido de uma reflexão ética e moral, haja vista que entrave, como a dificuldade de conciliar uma consciência ambiental e desenvolvimento, se faz presente no corpo brasileiro. Nesse sentido, cabe analisar como a negligência governamental e a falta de direcionamento de verbas afetam o ecossistema.
Observa-se, em primeira instância, que a negligência governamental afeta diretamente o meio ambiente. Sob essa ótica, tal entrave se diverge de utopia de Brasil narrada por Barreto, na medida em que o Brasil se encontra em desvantagem em relação à América Latina em vários setores, situando-se a maior diferença nos Recursos Financeiros, de acordo com relatório divulgado pelo TCU (Tribunal de Contas da União). Ademais, tal desvantagem demonstra a pouca importância dada ao tema pelo governo e a ineficácia do Ministério do Meio Ambiente em relação aos cuidados com o ecossistema, por não dar sua merecida atenção.
Outrossim, vale ressaltar que as verbas direcionadas para os cuidados com o ambiente não são suficientes. Nesse contexto, ganha voz a percepção do sociólogo Émile Durkheim, ao afirmar, na obra “Estudo do método sociológico”, que os instrumentos sociais obrigam os indivíduos a se adaptarem às regras da sociedade. Esse pensamento, em sua essência, revela a insuficiência do Governo diante a natureza, tendo em vista a sua degradação, como o desastre de Mariana, que poderia ter sido evitado se houvesse mais atenção a esses fenômenos, mas a necessidade de crescimento econômico faz com que tais problemas passem a ser ignorados por aqueles que deveriam zelar o meio ambiente.
Portanto, tendo em vista os fatos supracitados, é notória a necessidade de que o Governo, junto ao Ministério do Meio Ambiente, por meio de projetos governamentais, faça projetos visando leis mais rígidas quanto a exploração da natureza, para que, no futuro, sua preservação seja refletida em melhorias, como uma melhor qualidade no ar atmosférico. Também se mostra necessário que o Governo, junto ao Ministério da Economia, por meio de projetos governamentais, direcione uma quantidade suficiente de verba para o Ministério do Meio Ambiente, para que, dessa forma, além de um desenvolvimento econômico, o Brasil também tenha um desenvolvimento nos cuidados com o meio ambiente, de modo a orgulhar Policarpo Quaresma.