Desastre ambiental de Mariana: A importância de conciliar uma consciência ambiental e desenvolvimento
Enviada em 03/06/2021
De acordo com a Constituição Federal de 1988, todo cidadão tem direito à saúde e bem estar social, assegurados pelo Estado. Contudo, o vasto número de desastres ambientais, vistos no Brasil, violam esses direitos tão básicos. Nesse sentido, é preciso discutir o plano de crescimento comercial de grandes empresas somadas com a falta de consciência ambiental das mesmas.
Em primeiro plano, o interesse comercial das empresas e a avidez por lucro, colaboram para a incidência de problemas ecológicos no país. Isso ocorre, pois não há nas corporações, uma ideia de desenvolvimento econômico atrelado à preservação ambiental. Nessa perspectiva, os empreendimentos são feitos sem levarem em conta as especificidades e os potenciais riscos que podem acarretar na região. O exemplo do rompimento da barragem de mariana é apenas um exemplar do descaso de empresas com o meio ambiente. Pois, de acordo com a BBC Brasil, há no país, mais de 700 barragens de rejeitos de mineração. Sendo que aproximadamente 300 não possuem fiscalização adequada e mais de 200 apresentam alto risco de rompimento.
Ademais, as consequências desse sistema capitalista são inúmeras e, sem dúvida, os mais prejudicados são o meio ambiente e o ser humano. Até então, não se sabe os reais efeitos negativos causados na vida marinha oceânica. Entretanto, a repercussão socioambiental causada nos arredores da barragem é visível desde o primeiro instante. Mais de 10 pessoas, entre trabalhadores e cidadãos, morreram, famílias tiveram que abandonar suas casas, e consequentemente perderam suas identidades culturais, comunidades ficaram sem escolas e postos de saúde. Além disso, a vida aquática dos rios contaminados foram dizimadas, o que impactou diretamente a sociedade, uma vez que o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, garantido pela Constituição, foi ferido.
Evidencia-se, portanto, que o desastre de responsabilidade de empresa Samarco atinge diretamente o meio ambiente e a sociedade. Para apaziguar essa realidade, é preciso que o Estado, por meio do Poder Judiciário, dê celeridade ao sistema e puna os responsáveis. Ademais, é preciso que o Ministério Público e a sociedade, fiscalize a remediação do dano ao meio ambiente, através do reflorestamento e de constantes estudos dos impactos ambientais em toda a área afetada. Além disso, é preciso que este exija o contínuo suporte da empresa às pessoas que sofreram qualquer tipo de dano, para assim, minimizar o sofrimento e proporciona-los o mínimo de dignidade.