Desastre ambiental de Mariana: A importância de conciliar uma consciência ambiental e desenvolvimento

Enviada em 07/06/2021

Durante a primeira geração romântica da literatura brasileira, o escritor José de Alencar dissertou sobre a relação harmoniosa dos indígenas para com a natureza. Entretanto, fora da bibliografia, esse modo idealizado de utilizar o meio ambiente não reflete a realidade nacional, em que as empresas mineradoras buscam o lucro a qualquer custo, sem levar em consideração as possíveis catástrofes naturais. Dessa forma, faz-se necessário discutir o desastre ambiental de Mariana e a importância da concilição da conciência ambiental com o desenvolvimento, sendo essa problemática agravada pelo descaso governamental e a falta de manutenção da barragem. Tal fato reflete uma realidade extremamente complexa no que diz respeito aos seus efeitos sobre a população canarinho.                             Primeiramente, segundo o filósofo Epicuro, se queres ser rico não preocupa-se em aumentar os bens mas sim em diminuir a cobiça. No entanto, na atualidade, o pensamento de Epicuro não reflete na realidade pois, a preocupação em somente gerar a economia é a principal causa do descaso governamental perante ao desastre de Mariana, ademais, de acordo com o Relátorio de Segurança de Barragens, 2017, cerca de 42% das barragens, cadastradas nos orgãos de fiscalização, apresentam escassez documental. Além disso, sabe-se que, parte dos valores financeiros gerados pelas indústrias, ligadas a barragem, encaminha-se para a economia do governo ,sendo assim, quanto mais rápida a autorização do trabalho mais acelerado será o recebimento da verba.

Outrossim, com a demasiada negligência governamental, origina-se a falta de manutenção da barragem ,contribuindo assim, para a resultante do desastre ocorrido. Comprova-se que, perante o Relatório de Segurança das Barragens, 2017, nas limitadas vezes que ocorre as vistorias , utiliza-se somente amostras de locais expecíficos da barragem, descartando as áreas com desregularidades, para que não demande tempo na aprovação da mesma. Com isso, óbices na infraestrutura da construção transpassam desapercebido e geram extensas catástrofes ambientais e urbanas, como o ocorrido na região de Mariana, e comprometem todo o ecossistema e as sociedades futuras.

Diante do exposto, para resolver a questão da conciliação da consciência ambiental com o desenvolvimento, medidas devem ser tomadas. Para isso, cabe ao governo federal, instância máxima da administração executiva, criar políticas públicas que visem a fiscalização e punição de empresas que não apresentarem boas práticas ambientais, por meio da criação e ampliação de multas destinadas a essas corporações. Posto isso, tais medidas teriam por finalidade incentivar o desenvolvimento sustentável e consciente, o que reduziria consequentemente os riscos de novos desastres ambientais e somente assim, será possível construir um futuro melhor e baseado na dissertação de José de Alencar.