Desastre ambiental de Mariana: A importância de conciliar uma consciência ambiental e desenvolvimento
Enviada em 07/06/2021
No poema “Lira Itabirana”, do poeta brasileiro Carlos Drummond de Andrade, o eu lírico satiriza a destruição da paisagem do Rio Doce pela ação de companhias mineradoras que atuam na região. Fora da literatura, tal enredo mostra-se como uma denúncia a uma grave realidade do espaço socioeconômico nacional. Dessa forma, faz-se necessário discutir o desastre ambiental de Mariana e a importância da conciliação da consciência ambiental com o desenvolvimento, sendo essa problemática agravada pela ganância excessiva das empresas e pela negligência governamental. Tal fato reflete uma realidade extremamente complexa no que diz respeito aos seus efeitos sobre a população brasileira.
Em primeiro plano, de acordo com o antropólogo francês Claude Lévi-Strauss, a interpretação da realidade coletiva ocorre somente por meio do entendimento das forças que estruturaram o corpo social. Sendo assim, para entender a ocorrência dos desastres ambientais no Brasil, é imprescindível analisar o desenvolvimento econômico do país. Sob esse viés, o incentivo do governo de Getúlio Vargas à ampliação do setor extrativista industrial levou ao desenvolvimento de inúmeras empresas do ramo. Assim, impulsionadas pela lucratividade e pelos incentivos fiscais, tais corporações basearam sua atuação em atividades intensas e irresponsáveis, que não levam em conta os possíveis estragos ambientais e suas consequências à sociedade, o que representa um risco ao equilíbrio socioambiental.
Outrossim, de acordo com a Teoria do Contrato Social, do filósofo inglês Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir a segurança e o bem-estar coletivo da população. Entretanto, tal conceito encontra-se deturpado no Brasil hodierno, uma vez que o poder público mostra-se falho na fiscalização e punição de empresas cuja operação compreende possíveis danos ambientais. Destarte, sem o controle governamental adequado, a imprudente ação corporativa coloca em risco a homeostase ambiental, o que traz graves consequências, como a redução da biodiversidade e da capacidade de regeneração do meio, por exemplo. Portanto, tal inércia estatal deve ser superada.
Diante do exposto, para resolver a questão da conciliação da consciência ambiental com o desenvolvimento, medidas devem ser tomadas. Para isso, cabe ao governo federal, instância máxima da administração executiva, criar, por meio da utilização de verbas públicas, o Plano Nacional de Desenvolvimento Sustentável, o qual consistirá na ampliação do incentivo financeiro às corporações que apresentarem boas práticas ambientais. Posto isso, tais medidas teriam por finalidade estimular o desenvolvimento industrial consciente e responsável, o que reduziria, consequentemente, os riscos de novos desastres naturais. Somente assim será possível construir um futuro melhor e a realidade tupiniquim distanciar-se-á da sátira de Carlos Drummond de Andrade.