Desastre ambiental de Mariana: A importância de conciliar uma consciência ambiental e desenvolvimento

Enviada em 18/06/2021

“Eu sou o que me cerca. Se eu não preservar o que me cerca, eu não me preservo”. Essa frase de José Ortega é ainda mais significativa se tratando do desastre ambiental de Mariana, o maior desastre do gênero da história mundial nos últimos 100 anos, que mudou a vida de várias pessoas e espécies da região em todos os âmbitos, fruto do descaso, não somente da empresa responsável, como também dos órgãos governamentais que deixam implícito a garantia de impunidade. Atualmente com tanto desenvolvimento, para evitar acontecimentos semelhantes, é imprescindível a discussão deste tema.

O desenvolvimento está sem dúvidas atrelado à consciência ambiental, de modo que, países considerados desenvolvidos nem sequer tem lixeiras nas ruas, mas nunca tem lixo no chão e não se preocupam com alagamentos. Por outro lado, aqui no Brasil lidamos com um desenvolvimento inconsequente, por parte dos cidadãos, e muitas vezes nada sustentável, por parte das empresas. É difícil culpar as empresas por não fazerem embalagens sustentáveis, sendo que não recebem incentivo para isso, em contrapartida, empreiteiras, industrias e outros não fazem o básico em segurança e preservação. Seja não usando filtros apropriados ou descartando rejeitos sem os cuidados necessários, é comum várias inadequações fazerem parte da rotina de quem produz e de quem consume.

Grande parte das inadequações por empresas vêm da exploração predatória, sem a menor preocupação com as consequências, tendo como foco apenas o lucro, consequências essas que deveriam ser aplicadas diretamente pela justiça seguindo a legislação, porém a legislação ambiental brasileira possui grandes lacunas, isso pode ser exemplificado através de dados da DNPM que dizem que: no Brasil, 138 das 299 barragens cadastradas têm alto dano potencial associado, ainda assim, apenas 19 dessas são consideradas prioritárias. Dados como este transparecem a falta de rigidez frente aos perigos permitidos com a fauna e flora local, que vão desde construções inadequadas até descarte impróprio de resíduos, falta de rigidez tamanha que impedem a natureza de se renovar e dificultam a reversão dos estragos feitos.

Portanto, de modo a inibir a indiferença por parte dos responsáveis, cabe a criação de leis para que inspeções sejam frequentes realizadas, visando verificar incongruências quanto as normas ambientais, que, no que lhe concerne, também devem ser mais coerentes com as necessidades do país, a divulgação da conscientização ambiental também deve ser amplamente distribuída para que seja de conhecimento geral a sua importância. Com essas medidas a natureza seria melhor preservada e evitaria a impunidade de quem já provocou estragos, parafraseando Confúcio: Não são os aproveitadores que causam danos, e sim a negligência dos árbitros.