Desastre ambiental de Mariana: A importância de conciliar uma consciência ambiental e desenvolvimento
Enviada em 18/06/2021
A data de 15 de Novembro de 2019 foi marcada por um evento catastrófico de proporções mundiais: o rompimento da barragem de Fundão, controlada pela Mineradora Samarco, na cidade de Mariana (MG) . As estruturas não foram capazes de conter os 60 milhões de rejeitos de minério existentes e arrebentou, causando uma destruição considerável por onde passou. Os dejetos, formados por óxido de ferro e lama, chegaram até o Rio Doce, cuja bacia hidrográfica abrange cerca de 230 municípios de Minas e do Espírito Santo, que são abastecidas principalmente com a água deste rio. Com 41 cidades atingidas no total, 14 toneladas de peixes e 19 pessoas mortas, mais de 200 famílias desabrigadas, 1470 hectares de vegetação destruídas, é considerada o maior desastre ambiental da história brasileira. E apesar de a composição dos rejeitos não serem completamente tóxicos aos humanos, podem afetar completamente muitos ecossistemas de maneira fatal. A lama que atingiu os locais próximos à barragem criou uma cobertura no solo, que quando secar impedirá o desenvolvimento de muitas espécies.
Muitas pesquisas apontam que a restauração da área é impossível. Com severas consequências ambientais para a natureza e a população humana que dependia dos recursos naturais, a biodiversidade local foi perdida de forma irreversível. O desastre também resultou em diversos problemas econômicos. Em Linhares (ES), a pesca foi proibida até então. A Samarco, mineradora responsável pela barragem, foi paralisada, o que afetou o Espírito Santo, já que a empresa respondia por 5,8% do PIB capixaba e gerava 20 mil empregos diretos e indiretos. As cidades do Sul do Estado, como Guarapari e Anchieta, viram sua receita diminuir drasticamente e vários fornecedores perderam seu maior cliente. A empresa também foi alvo de vários processos judiciais, acompanhada de suas conjuntas: Vale do Rio Doce e BHP Billiton.
Segundo o promotor de Justiça do Meio Ambiente, Carlos Eduardo Ferreira Pinto, a tragédia “não foi um acidente, tampouco fatalidade” mas erro na operação e negligência no monitoramento da barragem. Após o desastre, soube-se também que a barragem de Fundão, além de receber os rejeitos da Samarco, recebia rejeitos de minérios provenientes da mina de Alegria, também pertencente à Vale, ou seja, o volume de dejetos é bem superior ao declarado pela empresa. Em resumo, a catástrofe seria evitada se não fosse a negligência da empresa quanto às questões de monitoramento e segurança da estrutura de contenção dos dejetos. A Samarco se comprometeu a realizar um pagamento de uma caução socioambiental de R$ 1 bilhão, num documento assinado em Belo Horizonte na sede do Núcleo de Resolução de Conflitos Ambientais do Ministério Público