Desastre ambiental de Mariana: A importância de conciliar uma consciência ambiental e desenvolvimento
Enviada em 21/06/2021
A princípio, convém rememorar que no dia 05 de novembro de 2015 rompeu-se a barragem de Fundão, localizada em Mariana (Minas Gerais), propriedade da empresa Samarco, controlada pelas mineradoras Vale e BHP Billiton, sendo considerado o maior desastre ambiental da história do Brasil, e um dos maiores relacionados à mineração no mundo, acarretando severos prejuízos no meio ambiente e na malha social de milhares de comunidades espalhadas por toda a bacia e litoral capixaba.
O desastre na atualidade ainda é um intenso problema, tendo em vista a grande quantidade despejada de rejeitos de mineração na bacia do Rio Doce, que seguiram o curso dos rios Gualaxo do Norte, Carmo, Piranga e Doce, trazendo como consequências a destruição de vilas e comunidades até que alcançasse o Oceano Atlântico. Danos sociais, ambientais e de saúde foram alguns dos prejuízos deixados por esse “tsunami lamacento”, que de acordo com um estudo contratado pelas mineradoras Vale, BHP Billiton e Samarco, a presença de lama no ponto de ruptura da barragem, onde deveria ter somente areia, é o que causou esse colapso.
Neste passo, a lama viajou longos quilômetros até o mar do Espirito Santo, destruindo tudo em seu caminho, contaminando totalmente a fauna e flora, deixando populações locais e por onde passava sem perspectiva de um novo amanhã. Além disso, o desastre deixou uma expressiva quantidade de peixes mortos, profundos danos à saúde, inclusive psicológicas e convém ressaltar que mesmo após alguns anos desde o seu início, o drama humano cuja sobrevivência dependia das águas do Rio Doce está longe de acabar, em que pescadores artesanais, marisqueiras, camaroeiros e demais integrantes de uma cadeia produtiva comunitária foram afetados incisivamente seus projetos de vida, suas relações interpessoais e com o meio ambiente, até mesmo afetando os conhecimentos tradicionais passados de geração em geração.
A par disso, as empresas poluidoras no intuito de amenizar os danos acarretados, por meio de acordos com as instituições de justiça, precisam continuar com o pagamento do auxílio financeiro emergencial (AFE) e indenizações à população impactada que tenham tido comprometimento de sua renda em razão da interrupção de suas atividades produtivas ou econômicas, até o restabelecimento das condições para retomada das atividades, por meio de pagamento de salário através da Fundação Renova, empresa criada para esse fim, além de tratamento de saúde com equipe multidisciplinar, cesta básica e água potável. Ademais, deve ser realizado estudos ambientais, elaborados por especialistas, custeados pelas empresas para recuperação do meio ambiente da área afetada pelo desastre.