Desastre ambiental de Mariana: A importância de conciliar uma consciência ambiental e desenvolvimento
Enviada em 21/06/2021
O padre Antônio Vieira, também filósofo e escritor, defendia, dentre várias ideias, que o desejo do homem em obter demasiadas riquezas é, em sua essência, prejudicial a ele, tendo dito que “a natureza fez o comer para o viver e a gula fez o comer muito para o viver pouco”. Nesse sentido, observa-se atualmente os impactos que a falta de consciência ambiental por parte de grandes empresas e orgãos públicos causam no meio ambiente, como no rompimento das barragens de Mariana. De fato, a negligência com a segurança da estrutura foi um fator-chave do desastre, e essa mesma indiferença com a natureza ainda é observada no país, o que pode acabar resultando em outra tragédia.
É necessário ressaltar, em primeiro plano, que o perigo do rompimento das barragens no município de Mariana já era conhecido, tendo ocorrido, dessa forma, por conta de descaso. Segundo dados divulgados pelo Ministério Público, um laudo técnico emitido em 2013, dois anos antes do ocorrido, já alertava sobre o risco de rompimento por conta de uma instabilidade na área, mostrando que o desastre poderia ter sido evitado se a Samarco (empresa dona dos diques) tivesse realizado a manutenção necessária. Ainda que o risco já fosse conhecido, os impactos da rachadura na região se propagam até os dias atuais, como visto na intoxicação dos moradores, que exibiram altos níveis de níquel no sangue e problemas respiratórios durante uma pesquisa feita pelo Instituto Saúde e Sustentabilidade na época.
Deve-se abordar, ainda, que essa postura de desinteresse quanto a condição do ecossistema não mudou após a tragédia, sendo presente no contexto social vigente. De fato, segundo dados do Departamento Nacional de Produção Mineral, das quase 300 barragens registradas mais de 7.5% apresentam grande risco de rompimento, sendo que mais de 2/4 apresentam um elevado dano potencial em caso de quebra. Nesse sentido, é inegavél a falta de consciência ambiental que grandes companhias e orgãos do governo apresentam, já que, mesmo com as graves sequelas deixadas pelo desastre em Minas Gerais, a história aparenta se repetir: apesar dos perigos ambientais serem conhecidos, não é vista a adoção de nenhuma medida que visa reduzi-los de uma forma significativa.
Diante dos fatos expostos, conclui-se que, para resolver a questão do equilíbrio entre consciência ambiental e desenvolvimento no Brasil, medidas devem ser tomadas imediatamente. Para tal, as Redes de Ensino públicas e privadas devem, por meio de palestras e debates, conscientizar seus alunos com respeito a importância da natureza para a nossa saúde, afim de propiciar uma consciência ambiental na futura geração. Ademais, o Ministério do Meio Ambiente deve realizar, por meio da aplicação de altas taxas, uma maior fiscalização ambiental, para diminuir a ocorrência de desastres ambientais como o de Mariana. Somente assim essa problemática poderá ser resolvida, sem nenhuma “gula” desnecessária.