Desastre ambiental de Mariana: A importância de conciliar uma consciência ambiental e desenvolvimento

Enviada em 20/06/2021

Policarpo Quaresma, protagonista de Lima Barreto, tem como característica mais marcante um nacionalismo ufanista, visando em um Brasil utópico. Entretanto, o rompimento da barragem de Mariana (MG) demonstra a falta de consciência ambiental e torna o país ainda mais distante do imaginado pelo personagem. Nessa perspectiva, seja por erros técnicos de manutenção da barragem e seja pela exploração desenfreada e irresponsável, o problema permanece silenciosamente afetando grande parte da população e exige uma reflexão urgente.

Em primeiro lugar, vale ressaltar que o rompimento da Barragem do Fundão, na cidade mineira de Mariana, ocorreu devido à falta de fiscalização. Isso porque, caso o monitoramento de órgãos públicos dispostos pela Política Nacional de Segurança tivesse ocorrido de forma eficiente, esse episódio não teria acontecido e a sociedade teria sido poupada das consequências dessa catástrofe. Além disso, no Brasil, há cerca de 23 barragens registradas com alto risco para que a estrutura se rompa e 138 possui um alto dano potencial associado. Entretanto, apesar de inúmeras barragens cadastradas no Departamento Nacional de Produção Mineral, apenas 19 são consideradas prioritárias, o que acarreta na preocupação de que as outras também se rompam.

Outrossim, o Conselho de Direitos Humanos destaca que a denúncia do Ministério Público Federal aponta para erros técnicos de implementação e manutenção da barragem, que teriam sidos conscientemente manipulados para reduzir custos e aumentar os lucros da Samarco. Desta forma, a exploração desenfreada e irresponsável para que haja benefícios a empresas afeta diretamente ao homem e sua sociedade, como cita o filósofo francês Jean-Paul Sartre – “O homem é o senhor de suas ações”. Sendo assim, é coerente que a ambição negativa em alta escala afeta grande parte da população.

Infere-se, portanto, que medidas sejam tomadas para resolver esse impasse. Para tanto, é de suma importância que o Ministério de Minas e Energia (MME) acione a Agência Nacional de Mineração (ANM) para que fiscalizem de fato as regiões mineradoras, além disso, montar equipes responsáveis pela cobrança e análise dessas fiscalizações, visando à prevenção de possíveis desastres. Ademais, é importante que palestras sobre questões ambientais e princípios filósofos sobre ambição e ego dispostas pelo Governo Federal sejam realizadas dentro de mineradoras públicas e privadas com o objetivo de conscientizar funcionários que, infelizmente, não concordam com a necessidade de manter uma sociedade sustentável.