Desastre ambiental de Mariana: A importância de conciliar uma consciência ambiental e desenvolvimento

Enviada em 20/06/2021

Pouco mais de 70 anos depois da criação da Organização das Nações Unidas, a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), documento histórico que inspirou a constituição de muitas democracias recentes, encontra barreiras para ser validada no Brasil quando se trata do desastre ambiental ocorrido em 5 de novembro de 2015, no município de Mariana (Minas Gerais). De primeira instância, é primordial destacar que grande parte da população perdeu um ente querido, várias espécies animais foram mortas e diversas famílias perderam sua moradia. Além disso, é válido ressaltar que tal desastre é considerado o maior desastre socioambiental da história brasileira nos dias de hoje, por ter causado diversos prejuízos para a sociedade e ter lançado na natureza vários rejeitos nocivos prejudiciais á saúde.

No contexto dessa discussão, vale ressaltar que o motivo do colapso da estrutura da barragem da empresa Samarco Mineração S.A foi a presença de lama em um dos pontos primordiais da barragem, onde deveria ter somente areia. Assim sendo, acredita-se que o ocorrido poderia ter sido evitado caso existisse uma fiscalização adequada e repentina por parte do Governo e se tivesse um bom investimento em fortificações para a barragem. Diante disso, a população mais afetada e a mídia foram atrás de respostas, e se revoltaram ao descobrir que o Governo teve grande parcela de culpa, já que concedeu Licença de Operação à Samarco mesmo após terem descoberto por meio de pesquisas do Ministério Público Estadual sobre os riscos de rompimento das barragens de Fundão e Santarém.

Ainda na perspectiva dessa problemática, na visão do ilustrador e escritor Ziraldo: “só jogue no rio (ou no mar) o que o peixe pode comer”. Sendo assim, pode-se concluir que o rompimento da barragem de Mariana foi um enorme atentado ao meio ambiente e proporcionou muitas mortes de animais da região. Além do mais, conforme informações do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), foram encontradas mais de 11 toneladas de peixes mortos na região afetada pela ruptura da barragem. Desta maneira, esse fato evidencia mais um problema: os pescadores da região ficaram sem sua fonte de renda e sem sua fonte de obtenção de alimento.

Diante do exposto, fica claro que o desastre ambiental ocorrido em Mariana foi um desrespeito aos Direitos Humanos, o que reclama atenção da sociedade. Nesse sentido, para concretizar alternativas que minimizem esses problemas sociais, faz-se necessário que o Governo e o Ministério Público Estadual estejam atentos e fiscalizem as empresas que representam um risco a população local. Ademais, é preciso que a Vigilância Sanitária esteja ciente dos perigos que tal empresa pode acarretar para a população caso haja alguma falha, e a Mídia comunique por meio de reportagens a população em geral para não serem pegos de surpresa. Assim, pode-se evitar outros desastres ambientais.