Desastre ambiental de Mariana: A importância de conciliar uma consciência ambiental e desenvolvimento

Enviada em 20/06/2021

Em Novembro de 2015, Bento Rodrigues, distrito da cidade de Mariana (MG), foi completamente dizimado pela maior tragédia socioambiental da história do Brasil: o rompimento da Barragem de Fundão, que era responsável pelo apresamento de dejetos da atividade mineradora da empresa Samarco. Esse desastre foi responsável por perdas socioculturais, ambientais e humanas que são incomensuráveis ​​pelo crivo econômico; além de ter causado a morte de 19 pessoas, desalojou cerca de 360 ​​famílias, interrompeu o funcionamento da Usina Hidrelétrica de Candonga, que fomentou uma crise de abastecimento hídrico em 9 cidades circunvizinhas, percorreu o trajeto do Rio Doce e desaguou no mar, causando a defaunação de diversas espécies vegetais e animais.

Ainda nessa perspectiva, um estudo feito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), nos informa que quase 30% dos atingidos pelo desastre sofrem com doenças psíquicas, tais como a ansiedade e depressão, sobretudo as crianças. Esse índice é cerca de 5 vezes maior que o percentual de ocorrência no restante do país. A priori, uma dessas patologias confluem com distúrbios pulmonares como a silicose e a tuberculose, devido ao excesso de materiais particulados no ambiente, assim como pelo trauma sofrido pela perda da casa, das fontes de renda, de familiares e da destruição de laços comunittários.

Vale ressaltar também que Mariana foi atingida pela demissão de funcionários da Samarco, pela diminuição da circulação de capitais, devido à interrupção da atividade mineradora e, consequentemente, pelo fechamento de empresas locais. Por consequência, ocorreu a desertificação irreversível do solo e o assoreamento do Rio Doce, com prejuízos na agricultura e na pesca. A posteriori, o desastre poderia ser evitado com a promoção de fiscalizações pela Secretaria do Meio Ambiente, haja vista que a pressa por exportar os minérios negligenciou a atenção para as normas de segurança que deveriam ser adotadas pela empresa, como o uso de sirenes e um plano emergencial para acidentes.

Nesse contexto, todos esses atos supracitados sofrem pela morosidade da empresa e do poder público em cobrar a indenização e compensação ambiental dos danos causados ​​pela mesma. Portanto, é necessário que a Defensoria Pública tome frente da situação, no intuito de desburocratizar os processos jurídicos. Além disso, é necessário que o Estado, em parceria com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, IPHAN, promovam o tombamento das ruínas de Mariana, pelo direito à preservação da memória e para que as evidências locais de danos causados ​​pela exploração ao meio ambiente e pelo desrespeito aos processos da natureza. Em paralelo à Carlos Drummond, uma população desse pequeno distrito vive com “oitenta por cento de ferro nas almas”.