Desastre ambiental de Mariana: A importância de conciliar uma consciência ambiental e desenvolvimento
Enviada em 20/06/2021
Notícias e reportagens veiculadas na mídia sobre o desastre ambiental em Mariana (MG) indicam que a tragédia ocorreu por negligência do órgão fiscalizador, da própria Samarco e do governo.
Os órgãos de fiscalização (DNPM e FEAM) são um dos responsáveis pelo ocorrido em Mariana, pois emitiram recentemente laudo atestando a segurança da barragem de Samarco. Essas agências devem ser investigadas minuciosamente para descobrir se esses relatórios foram emitidos com base em uma inspeção cuidadosa, emitidos “in loco”, ou foram encomendados por alguém para permitir que as empresas de mineração operassem.
A Samarco também deve passar por uma investigação detalhada, pois afirma que todas as regulamentações relativas à mineração foram integralmente cumpridas, mas fica a dúvida: se a empresa cumpre todas as regulamentações, como aconteceu esse desastre? Alguma regra não deve ter sido cumprida. Esses regulamentos não deveriam fornecer um mecanismo mais eficaz do que um telefone que pode levar todos os residentes a evacuar a área próxima à barragem? É provavel que sim.
O governo também deve arcar com parte da responsabilidade, pois emitiu para a Samarco uma licença de operação emitida pela Agência Reguladora Regional de Regularização Ambiental (SUPRAM), mesmo após estudo elaborado pelo Ministério Público que alertou para o risco de insucesso das Barragens de Fundão e Santarém em Mariana.
Em todo caso, a perda não é apenas econômica. A vida de animais, plantas e humanos foi tirada e muitas pessoas ainda estão desaparecidas. Os órgãos de fiscalização, a empresa Samarco e o governo devem ser investigados, responsabilizados e punidos para apurar a causa desse desastre, de forma a evitar novos desastres.