Desastre ambiental de Mariana: A importância de conciliar uma consciência ambiental e desenvolvimento

Enviada em 06/07/2021

Em novembro de 2015, a Globo cobriu uma das maiores tragédias do país, o Desastre de Mariana. Infelizmente, o rompimento da barragem causou imensuráveis danos ambientais ao contaminar o Rio Doce, rio mais importante da região Sudeste. Assim, é lícita a culpa tanto as empresas responsáveis quanto do Estado, que são diretamente responsáveis por permitir práticas tão nocivas, ao invés de investir em soluções ambientalmente conscientes.

Primeiramente, sabe-se que a barragem é apenas uma das formas de lidar com os rejeitos de mineração, a mais barata. De acordo com Bergerman, professor de Engenharia de Minas da USP, em um artigo da SciELO, as empresas poderiam usar esses restos para a produção de tijolos, cimento e outros materiais de construção civil. Na verdade, a lama, composta por minério, sílica e aminas, apesar de tóxica para peixes e para o meio ambiente aquático, não apresenta qualquer risco para a saúde humana e pode ser usada no cotidiano tranquilamente.

Por isso, tendo esse conhecimento, em novembro de 2020, a empresa Vale criou a primeira fábrica capaz de transformar rejeitos em tijolos. De fato, uma ótima iniciativa, porém é preciso mais do que uma fábrica para lidar com os restos de mais de 3000 áreas de mineração em território brasileiro. Além disso, apenas a produção de materiais de construção levaria a um acúmulo desnecessário desses produtos ao mercado, portanto, torna-se extremamente necessário pesquisar e desenvolver novos métodos de reaproveitamento do rejeito.

Consequentemente, vê-se que é obrigação da Agência Nacional de Mineração (ANM), da Defesa Civil e dos Órgãos Ambientais, respectivamente, tornar obrigatório que cada área tenha sua própria indústria responsável por reaproveitar os restos e a fiscalização dos de tal medida, a fim impedir que as barragens sejam usadas como forma de lidar com os resíduos da mineração. Além disso, é indubitável que o Poder deve subsidiar pesquisas voltadas a lama de rejeito, de forma a descobrir novos usos para ela. Assim, a mineração não se apresentará como um risco à população e evitará outros desastres como o de Mariana.