Desastre ambiental de Mariana: A importância de conciliar uma consciência ambiental e desenvolvimento
Enviada em 20/10/2022
O filme infantil “Lorax e a trúfula perdida” aborda em sua trama principal um empresário que utiliza um tipo específico de árvore para a produção em larga escala de seu produto. Este, ao desconsiderar as consequências dessa retirada massiva, provocou um enorme desequilíbrio ecológico, deixando diversos animais desabrigados de seus habitats naturais. Em paralelo ao contexto ficcional, o debate entre o limite entre o desenvolvimento e a preservação ambiental tem tornado-se cada vez mais atual, alertando para panoramas futuros extremamente pessimistas. Dessa forma, observa-se a construção de um problema com características específicas, agravado por permanências históricas e exemplificados por casos nacionais de catástrofes irreversíveis.
Nesse contexto, cabe analisar que o processo de extrativismo vegetal no Brasil nunca ocorreu de forma consciente para a conservação dos ecossistemas. Durante o século XVI, momento no qual a economia brasileira esteve marcada pela extração do Pau-Brasil, a preocupação com a obtenção de lucro esteve acima de qualquer consciência preservacionista, fato que influencia até a atualidade. Assim, o Bioma Mata Atlântica hoje é considerado um “hotspot”, ou seja, um local com grande biodiversidade mas com iminente extinção devido a ações humanas impensadas. É observável, portanto, que a ausência de medidas eficazes para o controle desse obstáculo pode ameaçar toda a internacionalmente aclamada flora brasileira.
Ademais, casos alarmantes causados por essas intervenções humanas no meio ambiente já podem ser atestadas no século XXI. O rompimento da Barragem em Mariana, ocorrido em novembro de 2015, foi um dos maiores desastres ambientais da história pois os mais de 50 milhões de metros cúbicos de rejeitos, incluindo sílica e outros metais pesados, inflenciaram as dinâmicas hidrológica, geológica, biológica e atmosférica. Destarte, é possível notar que a falta de fiscalização e punição estatais perante as atividades privadas exercem um papel fundamental na manutenção do meio ambiente.