Desastre em Brumadinho e a gravidade da reincidência dos crimes ambientais
Enviada em 18/09/2019
O livro Desastre em Mariana denuncia o descaso das autoridades brasileiras sobre o rompimento da barragem Samarco que continha rejeitos de minério em Mariana, Minas Gerais. O episódio ficou conhecido como o maior desastre ambiental do Brasil, no entanto, cerca de três anos depois, ocorreu outra ruptura na represa da Vale em Brumadinho, Minas Gerais. Portanto, evidencia-se que o desejo por capital juntamente com a negligência trouxeram graves consequências ao meio ambiente e às pessoas que residiam no local.
A princípio, cabe destacar que a Samarco e a Vale visavam apenas o acumulo de capital. O filme Tempos modernos retrata uma empresa desesperada em busca de lucros, que explorava os empregados com cargas horárias extensas, além disso, não existia preocupação com possíveis acidentes nas máquinas perigosas que os operários trabalhavam. Analogicamente, isso aconteceu com as empregadoras donas das represas, não houve preocupação com a vida dos trabalhadores, dos animais e com as consequências ao meio ambiente, como a contaminação dos rios e do solo por rejeitos de minério, em um eventual rompimento. Em suma, a Samarco e a Vale são empresas que apenas se interessam em lucrar como as da Revolução Industrial, contudo, são mais tecnológicas e respeitam as oito horas da jornada estabelecida na Reforma Trabalhista.
Em segunda análise, é importante ressaltar que a represa da Vale estava desativada e a fiscalização dela raramente acontecia. Segundo o Ministério do Meio Ambiente (MMA), o local não era monitorado porque o número de profissionais não é suficiente para realizar vistorias periódicas. Ademais, de acordo com ele, os equipamentos utilizados não são os mais sofisticados, por consequência, o tempo para realizar as vistorias se torna maior. Sob essa ótica, observa-se que ocorreu um negligenciamento por parte do Estado, o qual resultou em sérios danos aos indivíduos e aos ecossistemas. Dessa forma, a tragédia poderia ser evitada se houvessem inspeções regulares na barragem.
Destarte, observa-se que ocorreu um sucateamento na fiscalização estrutural das represas. Nesse contexto, urge que o Ministério do Meio Ambiente envie representantes para países do exterior com intuito de contratar profissionais para realizar essas vistorias. Para compensar o ocorrido, a Vale e a Samarco vão pagar as despesas para tal ação, outrossim, elas comprarão equipamentos mais modernos para tornar mais eficiente o trabalho e pagarão o primeiro ano dos salários para os contratados. Logo, com essas medidas as empresas que visam apenas lucrar vão deixar em segurança os trabalhadores, as vistorias poderão ser realizadas regularmente e mais nenhuma barragem irá se romper.