Desastre em Brumadinho e a gravidade da reincidência dos crimes ambientais
Enviada em 27/09/2019
O rompimento da barragem de fundão em Mariana, um dos maiores desastres ambientais do Brasil, provocou perdas humanas e destruição incomensurável da fauna e flora do país. Tal desastre foi insuficiente para que a mineradora responsável aumentasse a atenção e impedisse novos acidentes, visto que em 2019, houve rompimento de outra barragem em Brumadinho. Com isso, é notória a reincidência de desastres ambientais, decorrente da negligência das empresas e de uma sociedade pouco politizada.
Nesse sentido, o teatrólogo Nelson Rodrigues disse que o homem está a três desertos de uma perfeição moral, ou seja, é imoral visto que seus interesses pessoais são colocados à frente dos coletivos. Tal pensamento liga-se diretamente aos desastres em Minas Gerais, já que a negligência e a ganância pelo lucro impediram os empresários de tomarem medidas de segurança nas barragens que poderiam ter evitado o novo rompimento e mais perdas ambientais. Assim, a certeza da impunidade e a sede pelo lucro levam a reincidência dos desastres e a destruição do ambiente.
Para além disso, o documentário “A última hora”, por meio da exibição de um cenário caótico de destruição ambiental causada pela ação antrópica, busca chocar os expectadores e promover a reflexão a cerca da problemática. Na contramão da proposta ficcional, grande parte da sociedade brasileira, pouco politizada e privada de conhecimento sobre os verdadeiros impactos ambientais, é incapaz de cobrar do estado medidas que visem a proteção dos ecossistemas e o controle sobre empresas que colocam em risco o ambiente. Tal despreparo da população é resultado da ausência de uma consciência e de responsabilidade ambiental.
Dessa forma, para evitar a reincidência de desastres ambientais e promover a proteção do meio ambiente, o Estado deve agir. Para tanto, o Poder Legislativo deve criar leis que promovam sanções mais rígidas às empresas responsáveis por crimes ambientais, cobrando indenizações proporcionais ao lucro e exigindo investimentos e fiscalização no reparo e restauração dos ecossistemas, para que a reincidência e a impunidade tenham fim. Ademais, o Ministério da educação deve promover palestras em escolas e espaços públicos capazes de elucidar os indivíduos sobre a responsabilidade ambiental e expandir a consciência a cerca do dever de agir ativamente na defesa do meio ambiente, tornando-os mais politizados.