Desastre em Brumadinho e a gravidade da reincidência dos crimes ambientais
Enviada em 07/10/2019
O início da colonização brasileira foi marcado pela derrubada de florestas em busca de pau brasil, cuja exportação enriqueceria a metrópole. Esse descaso com o meio ambiente em prol do lucro até hoje permanece, e os desastres ambientais causados pelo homem se agravaram com o rompimento de duas barragens nos últimos cinco anos.
Em 2015, houve o rompimento da barragem de Mariana, em Minas Gerais. Na época, o acontecimento foi o maior desastre industrial da história, pois além de ter causado a morte de dezoito pessoas, os dejetos atingiram o rio Doce. Como consequência da poluição, dezenas de espécies entraram em risco de extinção, e houve uma crise de abastecimento hídrica. Embora a Vale, companhia responsável pela barragem, tenha se comprometido a não deixar o evento se repetir, em 2019, o mesmo ocorreu em Brumadinho, catástrofe que causou 250 mortes.
Em ambos os casos a mineradora sabia do risco iminente das áreas, contudo não alocou verba para reforçar a proteção ou evacuar as cidades. O governo tampouco garantiu a fiscalização de tais áreas, o que se deve a um descaso com o ministério do meio ambiente, que recebe pouca verba.
Ademais, o descaso com a natureza não se resume às barragens. A floresta Amazônica sofreu intensas queimadas, para dar lugar à pastos, e o governo não impediu. Logo, nota-se que assim como em 1500, a fauna e flora seguem sendo destruídas para que haja lucro. E as consequências serão globais, com a perda de ecossistemas, morte de famílias e destruições de cidades. A situação ilustra a teoria de Hobbes de que “o homem é o lobo do homem”, pois até os responsáveis pela destruição serão afetados pelas catástrofes.
Portanto, é essencial que o governo invista no Ministério do meio ambiente. Já esse, deve monitorar as áreas onde há barragens, e garantir que as companhias não sejam negligentes. E, caso note-se irresponsabilidade ou reincidência dos desastres, estas devem ser multadas com valores milionários, e os donos das companhias presos por crime ambiental.