Desastre em Brumadinho e a gravidade da reincidência dos crimes ambientais
Enviada em 14/10/2019
A tragédia humana, decorrida do rompimento da barragem 1 da Mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho-MG, constituiu mais um triste capítulo do compêndio da imprudência técnica e descaso ao meio ambiente vividos no Brasil. Diferentemente do que já havia ocorrido em Mariana, dessa vez, a perda humana foi sem precedentes e, para aqueles que escaparam dessa devastação, restam agora desafios quase intransponíveis, tanto na área social quanto na ambiental.
Embora o impacto ambiental tenha sido menor no caso de Brumadinho, em comparação à Mariana, é indubitável que a contaminação do rio Paraopeba causará danos a curto, médio e longo prazo. A curto prazo, já é possível ver a mortandade dos peixes e a contaminação das águas por metais pesados como cromo, manganês e o próprio óxido de ferro, que as tornam impróprias para o consumo humano. A médio prazo, a extensão da falta de água potável já terá atingido o cultivo de subsistência dos agricultores e a pouca, mas existente, pecuária das cidades no entorno de Brumadinho também será prejudicada. A longo prazo, se nenhuma medida for tomada, o dano ambiental se tornará incalculável.
Por outro lado, quando tratamos do dano social causado pelo desastre, a dimensão da tragédia toma limites ainda piores. Foram agricultores que perderam suas plantações por causa da lama de rejeitos; foram pousadas e pontos turísticos que ficaram destroçados e nunca mais serão visitados; empregados direta e indiretamente ligados à atividade mineradora da cidade e que agora não podem mais garantir o sustento de suas famílias.
De frente a esse triste panorama, os órgãos Legislativo e Executivo do poder público deveriam unir forças para agilizar o julgamento e punição dos responsáveis, assim como garantir indenizações para as vítimas à altura do dano que sofreram, visando acima de tudo, mitigar as dificuldades impostas pelo cenário devastador em que foram obrigados a conviver. Com esse mesmo rigor, aqueles órgãos deveriam cobrar da Vale reparações ambientais, visando o reflorestamento da mata atingida assim como a despoluição das águas do rio Paraopeba.