Desastre em Brumadinho e a gravidade da reincidência dos crimes ambientais

Enviada em 06/09/2020

Em 2019, o rompimento da barragem de rejeitos em Brumadinho, trouxe à tona a discussão acerca da persistência dos crimes ambientais. Nesse contexto, os principais fatores que conduziram a crítica situação de descaso para com o a natureza são o atual perfil agroexportador e a forte representatividade da bancada ruralista na política brasileira.

Em primeira análise, é oportuno destacar que a economia nacional é baseada na venda de “commodities”, isto é, produtos primários de baixo valor agregado e frutos da atividade pecuária, agrícola e mineradora. Assim, cabe refletir até que ponto é possível reduzir a degradação do ecossistema sendo que a sustentação financeira do Brasil depende de setores extremamente deteriorantes? Dessa forma, compreende-se, que para evitar a reincidência dos crimes ambientais, é necessário adotar o modelo de sustentabilidade proposto pela assembleia de Brundland, no livro “Nosso futuro comum”, que ressalta a urgência de medidas que visem o desenvolvimento econômico e, concomitantemente, preservem a natureza.

Ademais, outro entrave para a proteção do ecossistema é a grande influência da bancada ruralista nas políticas ambientais. Nesse esteio, o documentário “A lei da água” denúncia a irresponsável conduta governamental de aprovar, em 2012, o Novo Código Florestal que anistiou todas as barbaridades cometidas até 2008. Destarte, demonstra-se que ações estatais de flexibilização da legislação corroboraram para a impunidade e a continuidade de atitudes anti-sustentáveis, tais quais o rompimento da barragem de rejeitos no município mineiro de Brumadinho.

Portanto, cabe às Organizações não Gorvenamentais (ONGs), tais quais o Greenpeace Brasil, corroborar para a instrumentalização de candidatos, que se identificam com a temática da sustentabilidade, por meio da prestação de cursos e apresentações. Além disso, é dever do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, visto que é a pasta responsável pela promoção do agronegócio, fomentar projetos de pesquisa e extensão focados na criação de tecnologias que possibilitem a menor degradação do ecossistema, por meio da parceria com as instituições de ensino, para que nessa maneira, diminua a incidência de crimes como o de Brumadinho.