Desastre em Brumadinho e a gravidade da reincidência dos crimes ambientais
Enviada em 25/10/2020
Observa-se que muitas discussões têm ocorrido acerca do desastre em Brumadinho e a gravidade da reincidência dos crimes ambientais. Tal realidade é calamitosa, não só em relação a busca por uma margem de lucro elevada, mas também por ausência de monitoramento. Logo, remediar essa mazela é imprescindível para a plena harmonia social.
É válido ressaltar, a princípio, que de acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, o indivíduo da modernidade líquida é individualista e autocentrado, desse modo, não se importa com o que acontece ao seu redor. Afirma-se isso, pois, infelizmente, as empresas que exploram minério de ferro por anseios a ganhos exorbitantes realizam suas atividades com o menor custo possível. Um exemplo disso é a construção de barragens chamadas de alteamento a montante, que consiste na formação de degraus com os rejeitos, esse tipo de barreira é a mais barata, porém, não é a mais segura. Por consequência, tem-se a grave repetição de delitos contra o meio ambiente como o rompimento da Mina de Córrego do Feijão que causou várias mortes da população local, e, além disso, a destruição da fauna e flora na região devido à lama de resíduos com metais pesados que alteram as condições dos solos e contaminaram os animais.
Em consonância a isso, segundo o sociólogo Pierre Bourdieu, em sua Teoria do Habitus, o indivíduo tende a naturalizar, internalizar e, então, transformar uma vivência em um hábito. Exemplifica-se essa situação, com a preocupante persistência das violações aos ecossistemas, a saber, a catástrofe na barragem em Mariana no ano de 2015 e depois, 2019 em Brumadinho. Constata-se isso, porque, a falta de fiscalização em regiões mineradoras foi um dos motivos desses infelizes acontecimentos. Dito isso, a Agência Nacional de Mineração (ANM) responsável por realizar a inspeção alega a falta de verba para realizarem os seus trabalhos. Desta forma, é evidente a negligência por parte do Governo em destinar recurso para essa autarquia. Por conseguinte, a esse imbróglio a perpetuação de fatalidades na natureza.
É necessário, portanto, que o Governo distribua parte do PIB nacional para a área da mineiração. Essa ação será realizada por meio do direcionamento dessa verba para a divulgação de campanhas informativas e reflexivas para promover o senso crítico dos indivíduos, bem como, para a ANM enviarem mais fiscais para averiguarem as divergências e irregularidades nessas regiões para reverter tal barbárie. Nesse viés, isso será feito com o intuito de minimizar tanto o enriquecimento de empresas mineradoras, quanto a carência de controle para diminuir a gravidade da volta de infrações ambientais a exemplo da calamidade em Brumadinho.