Desastre em Brumadinho e a gravidade da reincidência dos crimes ambientais

Enviada em 09/11/2020

Durante a segunda metade do século XVI, Portugal já inicia suas buscas por mercadorias de alto valor para a exportação, nos territórios brasileiros. Seu grande interesse econômico surgiu com as “drogas do sertão”, que seriam especiarias para a venda no continente europeu, mas não eram como os metais preciosos ou outros materiais que gerariam mais riquezas. Portanto, as procuras por novas fontes de riqueza foi inaugurada e encontrada nos territórios de Minas Gerais por onde continuam até a atualidade e com um acúmulo de problemas que se iniciaram há anos, mas apenas agora o ambiente começou a reagir com graves consequências. Visto este problema que cerca a população mineira, é necessário que uma rápida intervenção do Estado para conter e resolver esses acidentes seja feita.

Em princípio, cabe analisar os episódios recentes que aconteceram com as barragens responsáveis pela empresa “Vale” que eram usadas para a extração de minérios como o ferro e acabaram completamente desabadas, por conta de grandes períodos sem fiscalização e métodos irresponsáveis de extrair matérias-primas. Portanto, esse acidente gerou uma inundação de lama por toda a cidade de Brumadinho que matou inúmeros trabalhadores locais e afetou a fauna e a flora de modo drástico, colocando em risco de extinção diversos animais e vegetações que ali habitavam.

Em consequência disso, ocorreram muitos problemas que se mostrarão presentes daqui alguns anos e um deles, a biocumulação. Ela é uma concentração de “metais pesados” em organismos presentes no topo da cadeia alimentar, ou seja, nos últimos consumidores e ocorre quando determinada área é contaminada por ferro, mercúrio e outros metais prejudiciais a saúde e é absorvido por peixes como ocorre nos rios de grandes ecossistemas. Desse modo, o peixe contaminado é ingerido por seres humanos e o metal encontrado dentro dele, agora é acumulado no organismo do homem e cada vez que um novo peixe contaminado é ingerido, mais metal é deposto. Assim, as consequências vão surgindo aos poucos e afetando a vida das pessoas que ali vivem.

Portanto, são necessárias medidas capazes de mitigar essa problemática com a intervenção imediata do governo para tomar estas terras das empresas que as destruíram e a implantação de projetos para a tentativa de recuperar e reconstruir a antiga paisagem com o auxílio de ambientalistas. Nesse mesmo viés, a fiscalização por parte do Estado deveria ser mais rígida e eficaz, não permitindo negociações e inserindo prazos para que a barragem seja reformada, caso haja alguma ilegalidade ou risco de desabamento. Além disso, os moradores daquela área seriam obrigados a realizarem exames, como  a tomografia para checarem se esses metais estão desenvolvendo algum tipo de tumor em seus organismos. Assim, é possível reconstruir aos poucos, algo que foi destruído tão rápido.