Desastre em Brumadinho e a gravidade da reincidência dos crimes ambientais
Enviada em 14/01/2021
Machado de Assis, em sua fase realista, despiu a sociedade brasileira e teceu críticas aos comportamentos egoístas e superficiais que caracterizam essa nação. Não longe da ficcão, percebem-se aspectos semelhantes no que se refere à reincidência de crimes ambientais, como o desastre de Brumadinho. Nesse contexto, o tema relacionado é um desafio para o Brasil e persiste devido, não só a insuficiência legislativa, mas também à priorização de interesses financeiros por parte de grandes empresas envolvidas nesse setor.
Em primeira análise, evidencia-se que a insuficiência legislativa, mostra-se com um dos desafios para a resolução do problema. Nota-se, que uma falha comum nas sociedades é acreditar que a criação da lei em si pode resolver problemas complexos, como a perpetuação de crimes ambientais de grande escala. O que se observa, é que se a lei não vier atrelada a politicas públicas que ajam na base cultural do problema, acaba dificultando a resolução da questão.
Outro ponto relevante nessa temática, é priorização de interesses financeiros. Sob esse viés, o brilhante sociólogo Karl Max, em seu livro “O Capital”, sustenta que “No capitalismo os bem materiais são fetichizados a ponto de assumir qualidades além de sua materialidade, assim as coisas são personificadas e as pessoas são coisificadas”. Dessa maneira, percebe-se que empresas de grande porte envolvidas em infrações como essas priorizam os lucros em detrimento da preservação ambiental e da segurança da população.
Portanto, medidas são necessárias para resolver tal impasse. Torna-se imperativo, portanto, que o Ministério Público, juntamente com a Polícia Federal realizem ações de investigação periódica nas empresas. Essas devem ser acompanhadas de suporte tecnológico para a detecção de irregularidades. Além disso, é necessária a efetivação da legislação ja existente, por meio do crumprimento de pena pelos réus. A partir dessas ações espera-se promover a construção de um país mais responsável.