Desenvolvimento sustentável: Utopia ou realidade?
Enviada em 12/07/2021
Oxímoro é a figura de linguagem que se expressa por meio de ideias contraditórias, tal qual se configura o termo desenvolvimento sustentável, quando analisado e construído imerso na sistemática capitalista de produção, visto que a sua perpetuação está vinculada à máxima exploração dos recursos naturais, de modo inconsequente, a fim de potencializar a sua lucratividade. Dessa forma, no capitalismo neoliberal, é utópico acreditar no desenvolvimento sustentável, tanto quanto fora irracional acreditar na autorregulação do mercado financeiro pela mão invisível teorizada por Adam Smith, filósofo liberal. Portanto, tal conjuntura é responsável por degradar a continuidade da vida da biodiversidade dos ecossistemas, e, por conseguinte, da espécie humana, além de ser fruto do modelo produtivo vigente e da insuficiente responsabilização dos reais culpados.
Consoante o documentário “Forget Shorter Showers”, ainda que toda a população mudasse seus hábitos ‘’insustentáveis’’, tal alteração reduziria apenas, aproximadamente, 22% do impacto global. Dessa maneira, esse dado revela que os comportamentos individuais não são os verdadeiros responsáveis pelo desequilíbrio do planeta, e sim as atividades do agronegócio e das grandes corporações industriais, ao explorarem, ineficiente e inescrupulosamente, os recursos naturais. Ademais, todo o processo produtivo industrial é fundamentado na obsolescência programada, mecanismo de intensificação do lucro, ao gerar produtos com baixa durabilidade, que requerem cada vez mais matéria-prima e retiram do seio civil recursos que lhe seriam essenciais à vida. Sendo assim, a coexistência da vida e das atividades econômicas, de modo predatório, se torna insustentável.
Para mais, de acordo com o marxismo, os seres sociais são reprodutores do capitalismo, e a ganância é uma das formas de expressão de tal reprodutibilidade. Desse modo, os indivíduos por trás dos grandes negócios são responsáveis por causar desastres antrópicos, justificados pelo acúmulo de capital, como ocorrera com o rompimento da barragem de Mariana, em 2015, Minas Gerais. Esse acontecimento demonstrou o descaso e a ineficiente reparação, por parte da empresa Vale, dos danos causados, não só ao meio ambiente, como também às vidas perdidas em meio à lama do capital.
Logo, faz-se necessário redefinir a logística de desenvolvimento econômico e limitar a atuação das grandes corporações mundiais, a fim de que se viabilize a continuidade da vida neste planeta, por meio de uma rígida fiscalização e responsabilização de atividades econômicas insustentáveis - amparada pelo corpo civil e Ministério da Justiça. No entanto, tal processo só se concretizará, por meio do despertar crítico da sociedade, fruto de uma reformulação educacional - cerne transformador sociocultural e econômico - de modo formal e informal, veiculada pelas mídias sociais.