Desenvolvimento sustentável: Utopia ou realidade?
Enviada em 27/06/2021
No documentário “Cowspiracy”, da plataforma de streaming Netflix, é retratado o impacto causado pelas atividades agropecuárias sobre o ambiente natural. Evidentemente, o Brasil é um dos maiores exportadores de mercadorias do gênero agrícola do mundo, estes, por sua vez, são usados como matéria-prima nas indústrias. Embora os produtos que são apresentados como sustentáveis para a população, ou seja, que na sua confecção houve pouquíssimos danos à natureza, o seu processo de produção, na verdade, obscurece informações que muitas pessoas sequer desconfiam.
Nessa circunstância, é importante destacar que a produção de insumos é crucial para a fabricação industrial de outros bens, por exemplo, o algodão produzido que é utilizado pela indústria têxtil. Utilizando esse mesmo exemplo, dados apontados pela BBC News - o algodão, apesar de não causar tantos impactos ao ambiente e que é também usado pelas empresas que se declaram sustentáveis - é uma das matérias-primas que mais necessita do uso de produtos causadores da degradação ambiental. Por exemplo, os inceticidas, pesticidas e agrotóxicos, são utilizados largamente para a aceleração da colheita e para o controle de pragas, o que consequentemente causa uma verdadeira complicação no estado natural do solo e da água, interferindo na sua qualidade. Assim, fica claro o contexto de que o desenvolvimento sustentável, na realidade, se mostra numa enorme contradição, pois oculta informações que levam as pessoas a adquirirem mercadorias, que, de fato, não são sustentáveis.
Além disso, outra questão que angustia muitos especialistas no campo da proteção ao meio ambiente, é o afrouxamento de medidas fiscalizadoras no território brasileiro em áreas florestais. No atual governo, o Ministério do Meio Ambiente tomou diversas medidas que iam contra a preservação da flora e fauna brasileira. Segundo informações do Carta Capital, foram mais de 700 medidas que impactaram fortemente a natureza, tais medidas aumentaram o nível de desmatamento em 216%, em 2020. As áreas desmatadas provavelmente tinham como fim a expansão do agronegócio no Brasil.
Dado o exposto, infere-se, portanto, que, o desenvolvimento sustentável não passa de uma ilusão no Brasil, visto que o país não caminha em prol de uma melhora. Posto isso, é fundamental que as Instituições Governamentais mudem o posicionamento nesse quesito. Para tanto, é preciso que o Governo Federal, em união com o Ministério do Meio Ambiente, faça as mudanças necessárias, isso pode se dar por meio da composição de medidas mais rígidas para a proteção ambiental. Tal ação pode, ainda, instigar os empresários do agronegócio a se abrirem mais à opiniões que visem a conservação do patrimônio natural, através de palestras e simpósios. Tudo isso, com o intuito de amenizar os impactos causados pelo agronegócio ao meio ambiente brasileiro.