Desenvolvimento sustentável: Utopia ou realidade?

Enviada em 26/06/2021

Um desenvolvimento sustentável é essencial para que não se esgote os recursos naturais ou mesmo se tente reverter os efeitos causados pela devastação humana. Porém, conseguir obter um total desempenho, é uma tarefa complicada, para não falar em uma utopia. Em um mundo globalizado, onde a palavra do momento é consumir, sustentabilidade está cada vez mais distante e fontes que realmente sejam limpas, também.

Como mostra o pensador Henrique Rattner, o conceito de sustentabilidade “não se resume apenas explicar a realidade, exige o teste de coerência lógica em aplicações práticas, onde o discurso é transformado em realidade objetiva”. Certamente a transição para esse novo modelo sustentável não acontecerá abruptamente. Como já vimos, foram anos de História até a formação do sistema atual, o que gerou em nossa sociedade arraigados maus hábitos. Mas não é preciso pessimismo: há quem diga que a adaptação gradual já está em andamento. O funcionamento da sociedade de consumo pode deixar de ser predatório e inconsequente para investir em soluções baseadas na inovação, como a tendência ao uso do ecodesign, por exemplo. No entanto, vale ressaltar que a mudança de comportamento é a principal forma de contribuir com a sustentabilidade.

Relatos da “batalha da humanidade contra a natureza” estão presentes desde as primeiras civilizações. Vejamos o exemplo da grande epopeia de Gilgamesh, texto da antiga Mesopotâmia, datado de aproximadamente 4700 a.C.. Em seu estudo, Estela Ferreira nos mostra como essa narrativa é indício do surgimento do antagonismo da cisão entre civilização e natureza, em pleno surgimento do pensamento Ocidental. A luta de Gilgamesh contra Humbaba, o guardião da floresta, simboliza a suposta “vitória” da humanidade contra o mundo natural, que perpassou toda a nossa História e ainda está na arquitetura de nossas cidades, nos nossos padrões de nutrição e em nossas atividades rotineiras. No início da Idade Contemporânea, a Revolução Industrial e os avanços tecnológicos proporcionaram a exploração de recursos naturais em escala nunca antes vista.

Portanto, cabe ao Ministério do Meio Ambiente a fiscalização de pessoas e empresas, visando o equilíbrio entre o desenvolvimento sustentável e econômico, além de criar leis para punir certos casos. Investir em soluções baseadas na inovação, como a tendência ao uso do ecodesign. Mesmo assim, somente a conscientização e a mudança de comportamento é a melhor forma de contribuir com a sustentabilidade.