Desenvolvimento sustentável: Utopia ou realidade?
Enviada em 28/06/2021
O protocolo de Kyoto, assinado em 1997, simbolizou um acordo entre diversos países, inclusive o Brasil, para a redução na emissão de gases de efeito estufa, com o objetivo de promover um desenvolvimento global mais sustentável. No entanto, mais de 20 anos após esse marco, o progresso ecológico permanece como um desafio para o planeta, embora seja essencial para a manutenção da vida na Terra. Nesse contexto, cabe discutir acerca dos entraves representados pelo excesso de automóveis e pela priorização do lucro pelas empresas.
Em primeira análise, desde o governo Juscelino Kubitschek, o Brasil passou pelo processo de valorização do automóvel, sobretudo devido à chegada da indústria no país e pela criação da concepção desse item como símbolo de status social. Dessa maneira, atualmente, existe um exacerbado número de veículos particulares em circulação, em detrimento aos meios considerados sustentáveis, como transportes públicos, a exemplo do ônibus e do metrô, ou ainda os não poluentes, tendo como exemplo o patinete e a bicicleta. Consequentemente, o progresso ecológico, infelizmente, é prejudicado, haja vista que os automóveis afetam negativamente a natureza, tanto na fabricação, pela extração da matéria-prima, quanto na utilização, pelo consumo de combustíveis fósseis e na emissão de gases poluentes.
Ademais, outro desafio para a construção de um futuro equilibrado é a supervalorização do lucro na sociedade atual, confirmando a assertiva do sociólogo Karl Marx, segundo o qual, no capitalismo, há uma priorização do capital em proporção direta à desvalorização do mundo humano. Assim, mesmo que na contemporaneidade existam diversos recursos adequados a um desenvolvimento sustentável, tal como plásticos orgânicos, combustíveis renováveis e transportes movidos à energia solar, a busca pela mais-valia impede que essas alternativas sejam, de fato, implementadas. Por conseguinte, a natureza é cada dia mais depredada, fator que prejudica não apenas o equilíbrio ambiental, mas, a longo prazo, até mesmo a sobrevivênncia das espécies.
Dessarte, é papel do Ministério da Infraestrutura, por meio de ação conjunta com as prefeituras, aprimorar a rede de transporte público. Para tal, a malha dos ônibus e metrôs deve ser ampliada, além de serem acrescidos nesses veículos assentos confortáveis e climatizadores, de forma a incentivar o uso desses recursos, e, desse modo, diminuir os impactos dos automóveis particulares. Além disso, é necessário que o Governo Federal, através de incentivo fiscal, fomente a utilização de materiais ecologicamente corretos pelas indústrias, para que os prejuízos ambientais sejam reduzidos. Assim sendo, os objetivos do Protocolo de Kyoto serão concretizados.