Desenvolvimento sustentável: Utopia ou realidade?

Enviada em 25/06/2021

Ao enfrentar um novo paradigma na sociedade, a academia, o marketing empresarial, relatórios executivos e até discursos eleitorais apelam para a “consciência ecológica”, e cada vez mais procuram resgatar a ideia do ser humano como ser biológico. Em uma análise mais materialista, como diz John Foster, evidenciado em, desempenhar o metabolismo do homem/mulher com a natureza.

Pois, sabe-se, mesmo que de forma intrínseca, da dependência direta da vida humana com a qualidade de um ecossistema ambientalmente equilibrado. Então, conciliar o modo de vida da humanidade com a preservação e conservação dos recursos naturais é algo que deveria ser pensado em primeira instância, uma vez que todas as relações sociais e a convivência humana dependem do lidar e da transformação da natureza para com o fornecimento de meios na reprodução da sociedade. Deste modo, é elencado aqui a categoria do “trabalho”, interpretação lukacsiana à categoria fundante do ser social. Nesse contexto, a sustentabilidade entra em questão como o equilíbrio da sociedade capitalista com o meio ambiente. Assim, a proposta do desenvolvimento sustentável é manter o modo de produção como se configura na atualidade, atendendo ao trabalho e suprindo as necessidades, sem comprometer a capacidade de oferta contínua do meio ambiente adequado à qualidade de vida.

Assim, o despertar da consciência social não abrangerá a totalidade das relações sociais em todas as suas formas, mas sim, trará benefícios a algumas partes articuladas em uma totalidade. E, portanto, esse pensamento se torna ideológico. Ideológico no sentido de cumprir uma função social de natureza excepcionalmente burguesa. Enfim, é difícil reconhecer que os pilares do desenvolvimento sustentável (produção ambientalmente correta, economicamente viável e socialmente justa) constroem o caminho sustentável para uma sociedade que se molda na lucratividade de mercadorias e não na assistência das verdadeiras necessidades da humanidade.