Desenvolvimento sustentável: Utopia ou realidade?
Enviada em 27/06/2021
Policarpo Quaresma, protagonista de Lima Barreto, tem como característica mais marcante um nacionalismo ufanista, acreditando em um Brasil utópico. Entretanto, o descaso com o desenvolvimento sustentável torna o país ainda mais distante do imaginário. Nessa perspectiva, seja pela negligência social, seja pela ineficiência governamental, o problema exige uma reflexão urgente.
Nesse contexto, é necessário destacar, a priori, que a falta de políticas públicas corrobora de forma intensiva para o entrave. Segundo Abraham Lincoln, ícone político americano, a política existe para servir ao povo e não ao contrário. Desse modo, em relação à sustentabilidade, o que se percebe é justamente a ideia oposta que Lincoln defendeu, pois não há um conjunto de ações, planos, metas públicas voltadas para a resolução da questão. E, como consequência, há o agravamento de um problema social expressivo que poderia ser solucionado se houvesse mais interesse do Estado. Assim, é necessário uma reformulação da postura estatal brasileira.
Ademais, é imperativo pontuar que a idealização de Quaresma distancia-se ainda mais da realidade brasileira, visto que o desmazelo social é capaz de limitar a própria cidadania do indivíduo. Isso porque o termo cidadania consiste na luta pelo bem-estar social, caso os sujeitos não possuam um pleno conhecimento da realidade na qual estão inseridos, eles serão incapazes de assumir plena defesa pelo coletivo. Sob tal ótica, a cegueira moral, fenômeno exposto por José Saramago em sua obra “Ensaio sobre Cegueira”, caracteriza a alienação da sociedade às demais realidades sociais. Nesse sentido, tal obstáculo advém de uma despreocupação dos cidadãos em exigir reformulações nos setores públicos.
Logo, é essencial a intervenção do brasileiro na comunidade em que vive e sua contribuição, sobretudo, para a estimulação de uma nação melhor. Torna-se evidente, portanto, a urgência de medidas para alterar o cenário vigente. Dessa maneira, é dever do Governo Federal – órgão responsável pelo bem-estar da população – elaborar um plano nacional de incentivo sustentável, por meio de uma associação entre prefeituras, governadores e setores federais, já que o fenômeno envolve todos esses âmitos administrativos, a fim de reduzir os estereótipos e o silêncio em relação ao assunto. Logo, é inaceitável que essa problemática se perpetue na sociedade contemporânea.