Desenvolvimento sustentável: Utopia ou realidade?

Enviada em 09/07/2021

Para a maioria da pessoas, a palavra sustentabilidade remete somente à proteção do meio ambiente. Mas sustentabilidade é muito mais do que isso. Envolve o equilíbrio de diversos setores da sociedade que se traduz em soluções para um desenvolvimento equilibrado que leva em conta os aspectos social, econômico, político, cultural e ambiental, para a atual e para as futuras gerações.

Esta concepção começa a se formar e se difundir junto com o questionamento sobre o estilo de desenvolvimento adotado mundialmente nos últimos séculos : ecologicamente predatório na utilização dos recursos ambientais, socialmente perverso com geração de pobreza e desigualdade social, politicamente injusto com concentração e abuso de poder, culturalmente alienado em relação aos seus próprios valores e eticamente censurável no respeito aos direitos humanos e aos das demais espécies.

O grande marco para o desenvolvimento sustentável mundial foi, sem dúvida a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro em junho de 1992 (a Rio 92), onde se aprovaram uma série de documentos importantes, dentre os quais a Agenda 21, um plano de ação mundial para orientar a transformação desenvolvimentista.

O desenvolvimento sustentável pode ser sim uma realidade, com a atuação dos governantes em todos níveis de ação. No campo social  e cultural seria na melhoria da qualidade de vida da população com a eqüidade na distribuição de renda e a diminuição das diferenças sociais com a erradicação da pobreza e da exclusão, respeito aos direitos humanos, integração social,  respeito aos diferentes valores culturais e incentivo a processos de mudança que acolham as especificidades locais . Na economia com a compatibilidade entre padrões de produção e consumo com acesso à ciência e tecnologia. No âmbito da sustentabilidade  ambiental, o equilíbrio de ecossistemas, o uso dos recursos naturais minimizando danos aos sistemas de sustentação da vida, redução dos resíduos tóxicos e da poluição, reciclagem de materiais e energia, conservação, tecnologias limpas e de maior eficiência, equilíbrio entre o rural e o urbano, equilíbrio de migrações, desconcentração das metrópoles, adoção de práticas agrícolas mais inteligentes e não agressivas à saúde e ao ambiente, manejo sustentado das florestas e industrialização descentralizada. Na política, no caso do Brasil, a evolução da democracia representativa para sistemas descentralizados e participativos, maior autonomia dos governos locais e descentralização da gestão de recursos.

Também a participação do cidadão individual é importante, tanto ao cobrar das autoridades governamentais essas ações públicas para o desenvolvimento sustentável, como em atitudes simples e diárias numa forma mais colaborativa e respeitável de existir em sociedade.