Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 30/09/2026
Na obra “Quarto de Despejo”, de Carolina Maria de Jesus, evidencia-se como a omissão estatal e a falta de informação confinam as parcelas vulneráveis à margem dos direitos sociais. Fora da ficção, a realidade converte-se no relato literário ante os dilemas enfrentados pela doação de órgãos. Nesse contexto, esse impasse é alimentado tanto pela inoperância estatal quanto pela lacuna informacional.
Em primeira análise, a inoperância do poder público atua como vetor desse entrave. Sob essa ótica, o geógrafo Milton Santos expõe que a omissão estatal reduz as garantias constitucionais a meras formalidades, dinâmica observada na falha do Estado em garantir assistência ao setor responsável pelo transplante de órgãos. Isso ocorre porque a ausência de investimentos direcionados à área, como a criação de centros especializados e à ampliação de infraestruturas já existentes, gera vazios assistênciais que comprometem o aumento da doação de órgãos no Brasil. Assim, essa desassistência institucional impede a consolidação de perspectivas dignas no país.
Outrossim, a escassez de esclarecimento coletivo sedimenta a permanência da problemática. Nesse viés, segundo Kant, a “Menoridade Intelectual” aponta que a falta de informação impede o discernimento do indivíduo, visão essa observada na manutenção de preconceitos em torno da doação de órgãos. Esse cenário justifica-se pelo fato de que a ausência de letramento informativo deixa a população suscetível à desinformação, o que motiva a recusa das famílias em autorizar a doação, comprometendo a concessão de uma segunda chance de vida aos pacientes na fila de espera do transplante. Por isso, essa lacuna informacional é um dilema a ser superado.
Portanto, faz-se necessário agir. Para tanto, cabe ao Ministério da Saúde combater os impasses que assolam a doação de órgãos. Essa medida deve ser realizada por meio da destinação de verbas públicas para a criação e ampliação de hospitais especializados no transplante de órgãos, bem como a criação e divulgação de campanhas educativas acerca da importância da doação de órgãos. Com isso, será possível mitigar esses dilemas.