Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 16/08/2018

Conforme a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos, entre 2007 e 2016, o número de doadores na população brasileira aumentou significativamente. Todavia, a fila de espera prossegue grande e milhares de pacientes morrem enquanto esperam por um órgão. Nesse contexto, deve-se analisar como o tempo de espera, aliado a recusa familiar, e a falta de infraestrutura hospitalar agravam o problema em questão.

Primeiramente, é incontestável que o tempo, ou a falta dele, é o maior dilema de doação de órgão. Segundo o Ministério de Saúde, o tempo de espera por um transplante é, em média, de 18 meses, entretanto centenas de pessoas morrem antes desse prazo. Aliado a isso está a resistência dos familiares que, conduzidos pela ignorância, negam a doação. Problema comprovado pela taxa de renúncia familiar que ultrapassa os 40% no país, de acordo com a Organização Nacional de Transplante. Por consequência disso, esses duas adversidades, juntas, tornam o processo mais longo e difícil.

Em uma segunda análise, nota-se, ainda, que a falta de infraestrutura hospitalar também é um vasto desafio de tal problemática. Isso decorre da ausência de aparelhos necessários nos hospitais da rede pública, na qual inibi a realização de exames e, posteriormente, a autorização da doação. Um exemplo é o caso da Tainá, uma jovem de 19 anos que teve morte cerebral, em Cabo Frio, contudo não teve seus órgãos doados devido à inexistência, em todas as unidades hospitalares da região, de equipamentos para efetuar os exames exigidos. Por conseguinte disso, o aguardo transfigura-se mais árduo para quem depende da oferta de um órgão para viver.

Torna-se evidente, portanto, que medidas devem ser tomadas. Em razão disso, o Ministério da Educação deve - assim como na Espanha e nos Estados Unidos, países com os melhores serviços de captação de órgãos no mundo - inserir nas escolas, por meio de uma reforma curricular, a temática da doação desde o ensino infantil, objetivando uma melhor educação sobre o tema, para disseminar a negação familiar e, consequentemente, diminuir o tempo de espera por um transplante. Ademais, o Poder Público deve, através das verbas públicas, ampliar o investimento de aparelhos essenciais para realizar doações e transplantes de órgãos, a fim de acompanhar as ofertas crescentes de órgãos, impedindo que ocorra demais fatos como o da Tainá. Assim, milhares de enfermos serão salvos e, seguidamente, a fila de espera, no país, decrescerá.