Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 24/07/2018
Embora crescentes no Brasil, os transplantes de órgãos ainda são dotados de muitos dilemas, haja vista a disseminação de diversos mitos sobre o assunto entre a sociedade e a pouca infraestrutura do país para os procedimentos. Esse conjunto de fatores não só atenua o número de vidas salvas, como também fortalece o tráfico de órgãos.
Em primeiro plano, é sabido que, judicialmente, a família é responsável pelo destino do corpo do possível doador. Nesse contexto, a permissão para a doação é dificultada pela junção de dois fatores: a morte vista socialmente como um tabu e a propagação de mitos, como o falecimento forçado do paciente por parte da equipe médica, visando somente os órgãos. Essa euforia causada pela desinformação social é vista, analogamente, na Revolta da Vacina, em 1904,, quando por não entender o contexto vigente, a população se rebelou e ignorou a campanha de saúde do Governo da época.
Ademais, a falta de infraestrutura do país para lidar com a questão, seja na preparação da equipe médica, na promoção de campanhas incentivadoras de doação ou no combate ao tráfico de órgãos, constitui-se outro dilema relevante. Essa ausência se evidencia na concentração de profissionais e centros especializados em regiões específicas do país e na preparação ainda ineficiente de todos os médicos envolvidos, para trazerem a pauta de doação de maneira correta à família, que passa por um momento delicado de perda.
Nesse contexto, se não resolvidos, esses problemas além de aumentarem os casos de mortes por falta de transplante, podem fortalecer o tráfico de órgãos, visto como uma alternativa para quem precisa. Segundo o Ministério Público, em 2016, o Brasil aparece na lista de países que vendem órgãos ilegalmente, gerando a necessidade de tratar essa questão no país.
Dessa forma, para que os transplantes sejam satisfatórios em número e qualidade, é imperioso que o Ministério da Saúde crie um site especializado em informar e tirar dúvidas do cidadão sobre a doação de órgãos, além de promover a informação por meio de cartazes e outros aspectos visuais nos centros de saúde, principalmente. A preparação dos profissionais de saúde deve contar com congressos e cursos periódicos promovidos pelo Estado em todo o território nacional. Dessa forma, o Brasil passará a ser um exemplo mundial de doação de órgãos.