Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 10/08/2018

É indiscutível o grande avanço feito pela medicina ao utilizar-se do implante de órgãos para salvar vidas. Apesar disso, a fila de espera para a doação é extremamente desproporcional comparada ao número de doadores. Para enfrentar isso é necessário analisar seus principais causadores; entre eles pode-se destacar dois: a falta de colaboração das famílias doadoras e o despreparo dos profissionais envolvidos no processo.

De acordo com a Legislação brasileira, a doação de órgãos deve ser feita apenas se houver a autorização prévia da família do possível doador, Apesar de ser um fato de senso comum a suma importância dos transplantes, grande parte ainda nega a concessão - segundo uma pesquisa divulgada pelo Ministério da Saúde, 43% das famílias negam-se a doar os órgãos do ente falecido. Essa escolha, apesar de ter motivos multifatoriais, colabora para a demora na fila de espera.

Atrelado a isso. nota-se a falta de preparo no sistema de notificação aos familiares. Por vezes, estes não são avisados ou até mesmo há a negligência de esclarecimento, o que torna a comunicação árdua. Segundo Baudrillard, um sociólogo francês, as informações, mais do que meros dados, são criadoras de realidade. Dessa forma, é preciso que a notificação seja feita de forma eficiente e clara para que a realidade brasileira de transplantes seja mais ágil.

Entende-se, diante do exposto, a necessidade real de ações governamentais e sociais com o intuito de proteger a saúde brasileira. O Estado, em parceria com o Ministério da Saúde, deve utilizar as vias midiáticas para fazer campanhas em prol da doação de órgãos e os cidadãos, devidamente esclarecidos devem notificar a família do desejo de doar. Da mesma forma, deve ser disponibilizados profissionais da saúde, como psicólogos, para fazer a comunicação com a família de forma humana e eficaz. Assim, esses dilemas seriam, então, atenuados.