Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 27/07/2018

No Egito Antigo, os indivíduos tinham o costume de embalsamar os falecidos, dado que, dessa forma, acreditavam que alcançariam a vida eterna. Contudo, milênios passaram-se, a medicina evoluiu; e, lamentavelmente, inúmeros cidadãos continuam enterrando seus entes sem a retirada dos órgãos, seja por falhas na Magna Carta, seja pela falta de empatia. Nesse prisma, é crucial a análise acerca da doação de órgãos no Brasil, visto que vidas humanas esperam por um transplante.

Em primeira instância, Ferdinand de Saussure, lamentavelmente, estava certo ao inferir que o tempo muda todas as coisas. Sob tal perspectiva, cabe salientar que, até o ano de 2002, a Constituição Cidadã depreendia que todos os brasileiros, exceto aqueles que manifestavam-se contra, teriam os órgãos doados após à morte. Contudo, a atual composição legislativa enfatiza que os familiares portam a decisão acerca do futuro dos entes falecidos, corroborando a não dádiva de órgãos de cidadãos os quais, em vida, pretendiam doar. Logo, é fundamental que o Poder Legislativo Brasileiro contrarie a citação do célebre Saussure, excluindo as últimas emendas constitucionais que posicionam-se perante a questão dos transplantes de órgãos.

Outrossim, as instituições de ensino canarinhas agem, erroneamente, na formação de adultos. Consoante a Louis Bonald, “A cultura forma sábios; a educação, homens”, as escolas brasileiras, principalmente as privadas, focam-se apenas na intelectualização dos alunos, omitindo funções mais contundentes, como a preparação de cidadãos. Desse modo, os estudantes acabam, muitas vezes, alcançando seus objetivos profissionais, no entanto não desenvolvem suas capacidades empáticas, confirmando os baixos índices de doações de órgãos no Brasil. Por conseguinte, torna-se fundamental a alteração dos valores sociais a respeito dos fatores que simbolizam o papel do ateneu.

Infere-se, em suma, que a problemática possuis inúmeras raízes, sociais e históricas, em nosso corpo social, mas que podem sem combatidos. Destarte, a Câmara Federal de Deputados, juntamente com o Senado Federal, devem reformar as leis que posicionam-se sobre o tema da doação de órgãos, construindo os artigos com base nos que haviam sido retirados no ano de 2002. Ademais, o Ministério da Educação, em face das escolas públicas e privadas, deve integrar mais períodos de ensino filosófico à carga acadêmica nacional, instigando a maturação traços empáticos que, hodiernamente, encontram-se escondidos no interior dos alunos brasileiros. Somente sob tais pontos de vista, a nação verde e amarela dará passos mais rápidos rumo à harmonia comunitária, com filas de espera por transplante de órgãos vazias e cidadãos mais solidários.