Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 28/07/2018
Historicamente, o primeiro transplante de órgãos no Brasil ocorreu em 1968, em São Paulo, iniciando um contínuo avanço dos métodos de transplante. Em vista disso, na atual conjuntura, o número de doadores por milhão de pessoas aumentou, segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), de 13,5 em 2013 para 16,2 em 2017. Contudo, a concentração das equipes de transplante no Sul e Sudeste e a negação das famílias freiam esse avanço. Logo, resta saber se o Ministério da Saúde solucionará esses desafios.
Em primeiro lugar, observa-se que a concentração das unidades de transplante prejudica o crescimento das doações. Segundo o Ministério da Saúde, há mais de mil equipes de transplantes de órgãos pelo Brasil e 400 unidades para atuarem nessa área. No entanto, de acordo com o vice-presidente da ABTO, Lucio Pacheco, a má distribuição dessas equipes é um dos desafios para a melhoria nas doações, com uma concentração nas regiões ao sul e quase nenhuma nas demais: “Em São Paulo, há 20 unidades de transplante de fígado, já em Minas Gerais, apenas três. Nos estados mais longes, não há”, afirmou Lucio ao programa Bem Estar. Dessa forma, a população do centro-norte do país não tem um fácil acesso fácil para as doações.
Por conseguinte, a negação das famílias contribui para frear o progresso das doações. Conforme exposto pelo Ministério da Saúde, metade das famílias nega a doação. Tomando como base as etapas das doações, posteriormente ao diagnóstico de morte cerebral, o médico deve pedir a autorização familiar para a doação. Todavia, em virtude do estado emocional da família, o desconhecimento sobre morte encefálica faz com que a autorização familiar torne-se a etapa mais delicada, como foi divulgado pelo Portal Brasil. Desse modo, a taxa de negativa familiar caracteriza-se como o principal desafio às doações.
Nesse contexto, portanto, deve haver uma intervenção do Poder Público a fim de solucionar tais problemas. Nesse sentido, cabe ao Ministério da Saúde desconcentrar as equipes de transplante do Sul e Sudeste do país, por meio da criação de novas unidades nos demais estados de forma a igualar o número dessas às regiões citadas, construindo hospitais universitários bem distribuídos pelos estados, promovendo uma melhor distribuição nacional. Outrossim, a mídia jornalística deve explicar o passo a passo das doações, juntamente com a mídia de entretenimento, por meio de séries e novelas, mostrando a realidade das doações no Brasil. Por fim, as unidades de transplante devem, por meio do pedido da autorização familiar antes da morte do doador em potencial, garantir uma conscientização mais eficaz acerca do processo. Feito isso, não mais haverá desafios na doação de órgãos no Brasil.