Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 30/07/2018

O sociólogo polonês Zygmunt Bauman em sua obra, Modernidade Líquida, equipara a sociedade contemporânea a um líquido, cujo caráter volátil contribui para uma sociedade individualista e com relações sociais efêmeras vividas desde o século XX. Portanto, os obstáculos para aumentar o número de doadores de órgãos no Brasil, certamente, é um reflexo desta modernidade, que tem como principais fatores a não aceitação da manipulação do corpo e o medo do comércio de órgãos.

Em primeiro lugar, vale ressaltar que há uma grande recusa familiar quanto à doação. Segundo dados da Comissão Européia, o Brasil tem um alto índice de não aceitação à manipulação do corpo: cerca de 42% das famílias brasileiras não permitem. A escolha da doação torna-se difícil, pois é necessário abrir o corpo da pessoa retirar seus órgãos, com isso, a situação fica incômoda e pouco aceita.

Simultaneamente, há o receio de que os órgãos acabem sendo usados como mercadoria. A pessoa que autoriza a doação não sabe realmente o destino final do órgão, por conseguinte, acaba não autorizando sua manipulação para evitar que o órgão seja usado de forma ilegal para favorecer ladrões. Segundo dados da Associoação Brasileira de Transplante de Ógãos (ABTO), entre os anos 2009 e 2013, houve baixo registro de doações no país, tendo entre esses anos, pouco mais de 1500 doações registradas.

Mediante a isso, o Governo do Estado deve exigir que institutos e universidades disponibilizem palestras aos alunos, para que fiquem cientes da importância da doação de órgãos. Um ato que poderá salvar outras pessoas. Junto a isso, o SUS deverá fiscalizar todo o processo referente à doação, conseguindo, assim, coibir o comércio ilegal de órgãos. Consequentemente, o número de doadores de órgãos no Brasil irá aumentar.