Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 08/08/2018
De acordo com a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), milhares de pessoas aguardam na fila de espera pelo transplante. Isso se deve, sobretudo, a burocracia e entraves existentes no processo de doação, decorrentes da perda dos órgãos pela má manutenção nos hospitais, falta de informações da sociedade acerca da questão e a negação dos familiares do possível doador. Todos esses dilemas dificultam e impedem que várias vidas sejam salvas no Brasil.
A doação de órgãos é um ato de solidariedade que poder salvar a vida de muitas pessoas que enfrentam graves problemas de saúde. No entanto, há uma enorme resistência da família em permitir que os órgãos e tecidos como o coração, fígado, rins, pulmões, pele e córneas do falecido sejam retirados para o transplante. Segundo o Ministério da Saúde, os familiares desconhecerem o desejo da pessoa de ser um doador, a incompreensão do conceito de morte encefálica e crenças religiosas são fatores que contribuem para a recusa da doação. Além disso, outro fator contribuinte é o despreparo da equipe médica em abordar os parentes da pessoa que veio a óbito para solicitarem a doação, visto que a notícia da morte desse, abala emocionalmente e dificulta que qualquer decisão seja tomada naquele momento.
Outrossim, observa-se que a falta de infraestrutura na maioria dos centros hospitalares é responsável pelo ‘‘desperdício’’ de muitos órgãos sadios e potencialmente aptos para serem transplantados. O doador é um indivíduo frágil e necessita de intensos cuidados que geralmente não são dados por esses apresentarem um quadro irreversível. De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), o tempo também é um obstáculo para a doação, em virtude de ser necessário a realização do transplante em menos de seis horas após a morte da pessoa doadora.
Destarte, urgem sinérgicas políticas públicas entre o Governo, a mídia e a sociedade a fim de converter a problemática abordada. É imprescindível a promoção de campanhas de conscientização através da mídia sobre a importância da doação de órgãos, tal como a melhoria da qualidade de vida de alguém. Também é importante que o Governo Federal invista mais capital nos hospitais para que esses tenham maior capacitação e suporte no processo. Ademais é fundamental que a sociedade busque se informar melhor sobre o tema para que a decisão de ser um doador seja comunicada a família.