Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 15/08/2018
O transplante de órgãos é um dos procedimentos mais complexos da medicina. O primeiro transplante bem sucedido ocorreu no ano de 1954 em Boston nos Estados Unidos. Uma década depois, o Brasil iniciava o procedimento pela primeira vez, se tornando um dos destaques de doação na América Latina. Contudo, o índice de negativa a doação é alarmante, a falta de informações sobre as doações somada ao baixo incentivo governamental corroboram para que haja a perpetuação do problema.
Mesmo com um aumento de 63% de doações de órgãos no Brasil na última década, dados de uma pesquisa feita pela OBTO - Organização Brasileira de Transplantes de Órgãos revelam que 47% das famílias recusam a doar os órgãos do familiar falecido. Parte disso se deve a desinformação da família perante a situação, haja vista que no Brasil um indivíduo é considerado potencial doador apenas se a causa de sua morte for morte encefálica e a família é a única responsável por autorizar ou não a doação de seus órgão. Em muitos casos as famílias não compreendem que morte encefálica é a perda irreversível das funções cerebrais, e após ela, a falência múltiplas dos órgãos é inevitável.
Ademais, a falta de diálogo sobre o assunto também coopera para o aumento do problema, tendo em vista que o tema morte é visto como tabu em muitas famílias por se tratar de um assunto que evidencia a dor enfrentada futuramente. Outrossim, a inexistência de uma lei que permita um cidadão decidir ainda em vida tornar-se um doador de órgãos dificulta o processo, pois a decisão é deixada para ser tomada pela família em um momento de grande fragilidade emocional.
Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. Sendo a escola um dos principais centros de formação social, cabe ao Ministério da Educação promover rodas de conversa nas escolas ministradas por médicos e psicólogos a fim de orientar os estudantes e familiares sobre a temática em questão, dessa forma, será possível construir cidadãos com um pensamento crítico e solidário sobre o tema. Considerando que campanhas publicitárias com essa abordagem não são frequentes, o Ministério da Cultura pode promover campanhas midiáticas através dos grandes veículos de comunicação como internet e televisão com o intuito de promover a desmistificação da doação de órgãos. Diante do exposto, um futuro solidário e consciente se tornará realidade.