Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 13/08/2018
As primeiras civilizações do mundo já realizavam experiências com transplante, como por exemplo, os cirurgiões Hindus, os quais faziam enxerto com tecidos e na Antiguidade, esse método visava principalmente reparar mutilações. Entretanto, apenas no século XX houve exito em transplantes de órgãos vitais. No Brasil, o primeiro ocorreu em 1964 e, desde então, criou-se leis para regulamentar o processo de doação. O país está em segundo lugar no ranking de nações com maior número de transplantes por ano, apenas atrás dos Estados Unidos segundo o site “How Stuff Works”. Apesar deste dado otimista, há inúmeros obstáculos impedindo que o procedimento tenha excelência.
Deve-se pontuar, de início, que a legislação estabelece duas situações para haver doação de órgãos, ela pode ser realizada quando o doador estiver vivo e o processo cirúrgico não lhe oferecer prejuízo ou quando o paciente sofrer de morte encefálica (lesão irreparável que causa interrupção das atividades cerebrais), transferindo para os familiares a decisão. No entanto, a recusa familiar é um dos principais motivos que inviabilizam o crescimento de doação. De acordo com a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), isso acontece devido a falta de esclarecimento da população sobre o assunto e de profissionais qualificados para abordarem adequadamente com as famílias.
Vale ressaltar, também, a infraestrutura precária dos hospitais públicos brasileiros. Atualmente, cerca de 86% dos transplantes são realizados pelo SUS (Sistema Único de Saúde) e a fila de espera ultrapassa 30 mil pessoas, conforme dados da ABTO. Portanto, não adianta transformar o povo em uma sociedade doadora, como observado no parágrafo a cima, se não há estrutura hospitalar para acompanhar a oferta de órgãos. Esses problema público gera, consequentemente, o comércio clandestino. A demora nas filas de espera, graças à escassez de órgãos, acarreta uma supervalorização dos mesmos, chamando atenção dos criminosos.
Dessarte, portanto, o Ministério da Saúde deve investir na infraestrutura dos hospitais, na educação dos profissionais para haver uma boa comunicação com os parentes e, juntamente, com o Sistema Legislativo criar leis que concedam benefícios fiscais na área da saúde para os doadores de órgãos e seus familiares. Também se faz necessário o combate mundial do tráfico de órgãos através de fiscalização mais severa e parcerias entre países com a ONU, pois esse crime além de por em risco a vida de muitas pessoas, ameaça o programa de doação e acaba com a confiança do público nas instituições médicas.