Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 12/08/2018
O documentário brasileiro “Anjos da Vida” revela as dificuldades no processo de captação de órgãos entre os médicos e as famílias dos pacientes. Nesse cenário, vê-se no país o crescente número de pessoas que aguardam um doador e a insuficiente autorização dos parentes para o procedimento. Nesse âmbito, faz-se necessário questionar como o individualismo no organismo social gera a saturação das filas de espera por transplantes.
Em primeira análise, a permissão para doação de órgãos começa no diálogo com os familiares. Entretanto, a morte é um tabu na atualidade, sendo assim pouco discutida, o que acarreta um impasse na decisão da família. Ademais, segundo Z. Bauman, a tendência da modernidade é a queda nas atitudes altruístas devido a fluidez de valores, como a empatia. Ou seja, muitos não aderem a ideia de doar órgãos por não enxergarem o bem que essa atitude pode causar para diferentes indivíduos.
Outro ponto relevante, nessa temática, é o cadastro para transplantes no Brasil. São mais de 40 mil esperando por curas ou melhoras na qualidade de vida. Porém, a esperança se torna escassa, ao passo que o tempo de demora é indefinido, chegando a anos sem uma resposta concreta. Nesse caminho, muitos padecem por razões que poderiam ser evitadas com a ajuda e entendimento da sociedade civil a cerca da importância de conversar com os familiares sobre a doação póstuma.
Urge, portanto, que a problemática seja combatida para a construção de um corpo social mais digno. Logo, cabe ao Ministério da Saúde, incentivar a melhora do contato dos agentes com as famílias do paciente, por meio da promoção de cursos preparatórios para a equipe técnica, a fim de humanizar o processo. Outrossim, compete ao Ministério da Educação criar estandes de conscientização em praças públicas e universidades, por meio de parcerias com psicólogos, a fim de levar a população ao diálogo sobre o assunto. Com essas iniciativas, espera-se garantir um futuro com mais doações e a continuidade de mais vidas.