Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 15/08/2018

Na Segunda Guerra Mundial, médicos nazistas utilizaram judeus como cobaias para transplantar órgãos, no entanto, as primeiras cirurgias foram um fracasso. Hodiernamente, no Brasil, com o avanço da tecnologia é possível realizar transplantes de órgãos com sucesso. Todavia, a negação familiar e o tráfico ilegal são empecilhos para que essas doações sejam efetivadas. Sendo assim, para reverter esse quadro, faz-se necessária uma parceria entre o Ministério da Educação e o Governo Federal.           Primeiramente, é importante analisar que a Legislação Brasileira exige que a doação seja realizada somente após a autorização familiar. Entretanto, a dor da perda, muitas vezes, interfere nas decisões dos indivíduos, visto que muitas famílias negam a doação de órgãos dos seus entes queridos. De acordo com dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), quarenta e três por cento das famílias se recusaram a doar órgãos de parente com morte cerebral em 2015. Dessa forma, é necessária a capacitação dos profissionais da área para lidar com a família e a questão que envolve.      Além disso, como intitulado por Karl Marx, o capitalismo prioriza lucros em detrimento de valores. Sob essa perspectiva, advém analisar que o tráfico ilegal de órgãos é um imbróglio na conjuntura hodierna, haja vista que, apesar de ser proibido por lei, muitos países são adeptos a essa prática. De maneira análoga, segundo pesquisas da ONU (Organização das Nações Unidas), cerca de cinco a dez por cento dos 69 mil transplantes anuais de rins realizados no mundo decorrem de ações criminosas. Outrossim, esses fatores atuam em um fluxo contínuo e favorecem na formação de um problema social com dimensões cada vez maiores.

Em virtude dos fatos mencionados, torna-se fundamental uma parceria entre o Ministério da Educação e o Governo Federal. É imprescindível que o Ministério da Educação incorpore a temática de doação de órgãos nos conteúdos curriculares, visto que esse assunto é pouco debatido nas escolas, com o intuito dos indivíduos ter uma educação sobre ser doador desde a infância. Ademais, cabe ao Governo Federal, criar leis mais severas e através de rigorosas fiscalizações, punir as empresas que realizam o tráfico de órgãos, com o fito de cessar essa mazela social. Logo, poder-se-á afirmar que a pátria educadora oferece mecanismos exitosos para acabar com os dilemas da doação de órgãos no Brasil.