Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 13/08/2018

O pais que clama por solidariedade

Desde o Iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. Embora esse pensamento date de séculos passados, a sociedade brasileira encontra-se no auge de seu individualismo, sobretudo quando se fala em doação de órgãos, fato que é dificultado pela falta de diálogo familiar, pelo contrabando e pela precária gestão governamental em fornecer informações sobre o processo.

A falta de comunicação familiar é o principal responsável pela recusa em doar órgãos no pais. Esse individualismo exacerbado acontece porque, na pós-modernidade, as pessoas, conforme defende o sociólogo Zigmunt Bauman na obra “Amor Liquido”, buscam não se envolver nas relações interpessoais que desenvolvem ao longo da vida. Em decorrência dessa fragilidade nos laços afetivos, o individualismo é potencializado e a maioria da população acaba, muitas vezes, não se importando se há pessoas que precisem de um coração, rins e outros órgãos, gesto de compaixão que podem salvar outras vidas.

Vale ressaltar, também, que a falta de informação sobre o processo de doação acarreta na negativa familiar. Isso acontece porque, segundo Naura Faria, chefe de atendimento ao doador do hemocentro coordenador do Estado do Rio de Janeiro, a doação de órgãos no Brasil ainda é cercada de mitos. Muitas pessoas, por exemplo, acreditam-erroneamente-que, ao doarem, o beneficiado vai saber qual a pessoa que doou, além de imaginar que o procedimento vai ser demorado e burocrático.

Além disso, segundo o portal Geografia em Foco, outro fator que inviabiliza a solidariedade está presente no trafico de órgãos, muitos deles têm destino como Estados Unidos, Reino Unido e França. Embora o Governo brasileiro, a fim de assegurar á integridade física do doador, retirou a notificação do RG de quem deseja doar, essa pratica ainda é persistente, visto que o pais conta com dezessete processos judiciais dessa natureza.

Infere-se, portanto, que o dilema de doação de órgãos no Brasil carece de medidas publicas e sociais. Sendo assim, o Ministério da Educação, em parceria com as escolas, deve incluir a disciplina de ética e cidadania no currículo escolar dos ensinos infantil, fundamental e médio. Essas aulas com intuito de desconstruir o individualismo já enraizado na sociedade pós-moderna, deverão disseminar o hábito da empatia. Ademais, o ministério da saúde deve disseminar, nos meios de comunicação, propagandas que, além de incentivar o diálogo familiar acerca do assunto, informem á população como, de fato é o processo de doação. Assim, a sociedade brasileira encaixará ao modelo iluminista.