Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 30/08/2018

Em conformidade a Confúcio, “Se queres prever o futuro, estuda o passado”, a necessidade de doação de órgãos não é um problema contemporâneo. Desde o ano de 1933, quando foi realizado o primeiro transplante renal do mundo, na Ucrânia, as técnicas foram aprimoradas, como por exemplo, a utilização de drogas imunossupressoras para evitar a rejeição e soluções capazes de manter o órgão viável para doação por um tempo maior. De maneira análoga, hodiernamente, observa-se que mesmo após avanços tecnológicos o quadro de iniquidade persevera, refletindo diretamente na sociedade brasileira, uma vez que a doação ainda é um dilema, causado por falta de conscientização da sociedade como um todo e também de fatores impeditivos para a concretização da doação.

É evidente que a falta de compreensão da população sobre o processo de doação está entre as causas da manutenção do problema. Em primeiro plano, evidencia-se que a sociedade como um todo possui certa reserva em relação a doação, uma vez que deve ser feita após o óbito de um ente querido, momento de grande dor e tristeza para todos os familiares. Vale ressaltar que a abordagem a ser tomada pela equipe médica nesse momento faz total diferença, por isso, é necessário que sejam pessoas devidamente capacitadas na realização dessa aproximação.

Cabe salientar, outrossim, que além da incompreensão populacional, podemos observar também que ainda existem fatores impeditivos para que seja possível a concretização da doação. Fatores como contra-indicação médica, parada cardíaca - inviabilizando a doação de alguns órgãos - além da não confirmação da morte encefálica, ou seja, da confirmação legal de óbito. Tais fatores, atribuídos por falta de informação, são cruciais para que o número de pacientes elegíveis se tornem de fato doadores.

Diante dos fatos aludidos, faz-se necessário que sejam tomadas ações que tenham como objetivo a resolução deste impasse. Cabe às mídias sociais o dever de promover campanhas de conscientização que sejam capazes de sanar completamente as dúvidas geradas pela ausência de informação à respeito do tema. Não podemos deixar de citar também que o Ministério da Saúde (MS), por sua vez, precisa rever as políticas aplicadas em hospitais, fornecendo maior treinamento aos profissionais da saúde, tornando-os mais aptos para realizar o diagnóstico, a informar e orientar a família do paciente e em casos onde a doação for aceita, ser capaz de realizar entrevista e testes sobre o doador, sendo assim capaz de viabilizar a doação.