Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 17/08/2018

Em 1968, foi realizada a primeira cirurgia de transplante de órgão no Brasil pelo doutor Euryclides Zerbini, colocou o país na história da medicina mundial. Porém, 50 anos passaram-se e os números doação de órgãos pouco cresceram. Em 2016, foram registrados 2.983 doadores, entretanto, na fila de espera, existiam mais de 40 mil pacientes. Nesse aspecto, pode-se destacar a insegurança que rodeia a sociedade, consoante a falta de infraestrutura encontrada no sistema de saúde pública.

É inegável a importância da doação de órgãos, ao analisar que, essa é uma forma de colaborar com a continuidade da vida do próximo. Porém, desde 2001, com a criação da Lei de nº 10.211, a decisão passa a ser facultativa da família, e em muitos casos, esbarram-se na falta de informações; desconfiança do sistema de saúde; medo de não estar morto; mutilação; trazem a recusa familiar. Dessa forma, é importante que esse assunto seja discutido familiarmente, e que a opinião de cada um seja repassada e respeitada. Não é justo que muitas pessoas morram nas filas enquanto órgãos são enterrados e diminua as chances de salvar outras.

Outrossim, a saúde pública no Brasil conta com baixa infraestrutura hospitalar para a realização dos transplantes, atualmente as filas de espera para o transplante não são condizentes com a oferta dos órgãos. No ultimo semestre de 2016, o Portal EBC, informou que “cerca de 70% dos órgãos doados no Brasil não puderam ser utilizados devido à falta de infraestrutura”. Em muitos casos o doador encontra-se em um local distante de um hospital com suporte adequado, e inviabiliza a remoção dos órgãos, os quais possuem baixo tempo de retirada que, pode partir do imediato até 6 horas a depender do órgão, segundo o Departamento de Patologia da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).

Desse modo, os dilemas sobre a doação de órgãos no Brasil ainda vivenciam quadros de evoluções lentas. Logo, Governo Federal, Junto ao Ministério da Saúde, devem consolidar investimentos no Programa de Doação e transplante de órgãos, com o aumento de divulgação de informações sobre a doação de órgãos, através da mídia, redes sociais, cartazes, com o intuito de sanar dúvidas da população, assim como, a estruturação estratégica de centros médicos objetivando o transporte dos órgãos. Igualmente, o Ministério da Educação, deve usar as entidades educacionais para disseminar ideias, promoção de debates, realização de campanhas educativas, com o viés de adentrar com o assunto nas comunidades e famílias. Consequentemente, a sociedade estará preparada para definir e receber decisões, que em seu devido poder, resultam em benefícios para a nação.