Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 21/08/2018

O primeiro transplante de órgão ocorreu na década de 1960, nos Estados Unidos. No entanto foi somente por volta de 1980 que os medicamentos evoluíram e, com isso, permitiram que tal procedimento acontecesse em maior escala. Hoje, apesar de todos os avanços nessa área e de todo o conhecimento a respeito dos benefícios da ação, ainda existem vários desafios e dilemas acerca da doação de órgãos no Brasil e no mundo. Nesse sentido, faz-se necessário não só analisar as razões e as consequências da questão, mas também buscar meios para mitigá-la.

A princípio, cabe destacar o desconhecimento acerca do assunto, por parte da população, como fator determinante para o número reduzido de doações. Isso ocorre em virtude de as campanhas, que deveriam explicar a temática e informar os cidadãos, serem pouco eficazes. Por conseguinte, têm-se hoje um enorme problema por causa da falta de autorização familiar para a cirurgia de transplante. Prova disso é o dado da ABTO (Agência Brasileira de Transplante de Órgãos) que mostra que, em 2014, cerca de 46% das famílias negaram a doação dos órgãos. Nesse viés, tal ocorrido poderia ter sido evitado caso as famílias recebessem maior amparo e estivessem com suas dúvidas sanadas.

Ademais, no contexto brasileiro, há também o problema da má distribuição de equipes que realizam transplantes. Isso porque, a grande maioria dos profissionais especializados e dos hospitais capazes de exercer essa atividade, está concentrada nos estados do Sul e do Sudeste. Dessa forma, mesmo aqueles indivíduos que tem a intenção e o consentimento familiar para doar seus órgãos não conseguem fazê-lo. Além disso, há ainda o preceito moral relacionado à doação, uma vez que, algumas religiões -como o próprio catolicismo- alegam que o corpo não pode ser maculado após a morte. Consequentemente, vê-se a forte ocorrência do tráfico de órgãos, que acaba sendo a última alternativa para pessoas desesperadas, circula milhões de dólares anualmente e põe em risco diversas vidas.

Torna-se evidente, portanto, que a situação da doação de órgãos encontra-se problemática e medidas são necessárias para resolver o impasse. Primeiramente, é dever do governo promover campanhas, em todas as mídias, -em especial na internet e na TV- que busquem esclarecer, por meio de dados e estatísticas, as questões acerca dos procedimentos realizados para a doação e nos transplantes; isso, com o intuito de tornar a população mais informada e ativa em relação ao assunto. Outrossim, deve ainda, por meio do MEC, distribuir, nas escolas, cartilhas e kits educativos que trabalhem a desconstrução dos mitos acerca da doação de órgãos, além de promover palestras com médicos e psicólogos para tratar da importância de dialogar com a família a respeito da opção de ser doador. Tudo isso para instruir, desde as séries inciais, indivíduos que, no futuro, poderão salvar vidas.