Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 23/08/2018
A República Federativa do Brasil constitui-se como um Estado Democrático de Direito que visa garantir a dignidade humana. Entretanto, há um paradigma em voga: os dilemas da doação de órgãos que se evidenciam pela precariedade do sistema de saúde aliada à falta de informação sobre o processo da doação. Logo, medidas cujo objetivo seja reverter essa situação devem ser apresentadas.
Um primeiro aspecto que contribui para a existência do problema é a falta de empatia dos médicos. O sociólogo polonês Zygmunt Bauman, em sua obra, Modernidade Líquida, equipara a sociedade contemporânea a um líquido, cujo caráter volátil contribui para uma sociedade individualista e com relações sociais efêmeras. A teoria em questão ilustra a visão mercadológica dos médicos, o que resulta em uma frieza para tratar de casos que envolvem doação de órgãos. Assim, a entrevista familiar não é feita com empatia, esclarecendo sobre a morte do parente e sobre a possibilidade da doação para salvar e/ou melhorar a qualidade de vida de pessoas. Dessa maneira, a superação do problema da falta de órgãos é dificultado, ocasionando um número cada vez maior na fila de espera e, consequentemente, a morte de muitas pessoas.
Outro aspecto que corrobora a existência dessa problemática é a pouquidade de propagandas que esclareçam sobre o tema. Evidência dessa questão é que muitas pessoas não sabem que, mesmo optando ainda em vida por ser um doador através de documentos, a doação ocorre somente com a autorização da família. Como consequência disso, não há diálogo com os familiares sobre o desejo de ser um doador, o que torna um desafio combater o problema.
Fica evidente, pois, a necessidade de superar os desafios sociais que prejudicam a doação de órgãos. Para isso, o Ministério da Saúde e o MEC em parceria com a Mídia – por seu papel na formação da opinião pública – devem agir. A esta cabe criar propagandas em horário nobre a fim de fornecer informações sobre a doação. Já àquele compete investir nas Faculdades de Medicina com a criação de uma matéria que possa gerar nos médicos uma visão mais humana do corpo, para que o processo de doação não seja prejudicado. Assim, será possível construir um caminho de superação desse grave entrave social.