Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 24/08/2018

“Creio no direito à solidariedade e no dever de ser solidário”, disse o escritor português Jose Saramago. No entanto, a sociedade brasileira vem a falhar com esse dever ao longo dos anos. Essa atitude é evidenciada no fato de que, apesar do número de doações de órgãos ter crescido 63,8% nos últimos 10 anos, ainda existe uma fila com mais de 35 mil pessoas aguardando por uma doação, segundo dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABOT). Entretanto, muitas doações não são realizadas pela recusa dos familiares frente a essa proposta.

Primeiramente, a doação de órgão requer uma série de passos, desde a confirmação ate exames padronizados. Porém, muitas famílias por não terem um conhecimento adequado, e muitas vezes mistificado quanto a todos os processos que envolvem a doação, acabam por negar tal procedimento, o que constitui o maior empecilho para tal. De acordo com o Ministério da Saúde, a taxa de negativa dos parentes é de 40%, e a fila de espera é estimada a duração de cinco anos.

Por consequência, a conquista de respostas positivas dos familiares torna-se o maior objetivo para a concretização de uma melhora real e constante no número de doações, visto que, segundo a lei nº 9.434, de 4 de fevereiro de 1997, da constituição federal, o processo de doação de órgãos só se inicia após a autorização total dos familiares do possível doador.

Portanto, é de necessidade nacional que esse quadro seja revertido. Para isso, é preciso que o Ministério da Saúde, enquanto órgão governamental atue de forma integral no desenvolvimento de campanhas de conscientização e edução social, em parceria com escolas, mídias de comunicação e redes sociais, promovendo palestras, propagandas e feiras de saúde, afim de desmistificar, ensinar e apresentar a toda a sociedade, a grande importância da doação de órgãos. Assim, abrindo um caminho de vida e esperança para milhares de pessoas que necessitam apenas de um ato de solidariedade para continuar vivendo.