Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 24/08/2018
O primeiro transplante de órgão realizado no Brasil aconteceu apenas em 1964, quando um rim foi transplantado com sucesso no Rio de Janeiro. Porém, apesar de décadas passadas de tal acontecimento, o Brasil ainda enfrenta muitos desafios acerca da doação de órgãos. O tabu que permeia entre as famílias somado a informação e orientação para a sociedade em geral são propulsores para que o número de doadores não aumente.
Convém ressaltar, a princípio, que o dialogo familiar é um fator determinante para a realização de doações de órgãos e tecidos. No Brasil, desde 2000, a doação consentida de órgãos e tecidos são garantidos por lei, porém ela só pode ser feita desde que os familiares do doador concordem em realizar tal ato, o que dificulta a doação, visto que milhares de famílias brasileiras não discorrem e nem possuem familiaridade com o tema em suas casas. Dessa maneira, os órgãos não são aproveitados, e a vontade inicial do doador é colocada em segundo plano.
Além do mais, evidencia-se que a falta de conhecimento e orientação sobre o assunto ainda impendem que cresça a quantidade de doadores no Brasil. No documentário brasileiro “Anjos da Vida”, é retratado que as famílias dos doadores não tiveram a devida orientação – psicológica e judicial – para a doação em âmbito hospitalar, o que fez com que várias famílias hesitarem, e até desistirem de tal ato. Além disso, o documentário ainda ressalta a relevância do apoio à família para que a doação aconteça, o que geralmente não ocorre nos hospitais.
Diante dos fatos supracitados, faz-se necessário que as instituições de ensino promovam o debate sobre a importância da doação de órgãos, utilizando palestras sobre a temática, com o objetivo de fazer com que os jovens se conscientizem sobre a doação, e até se tornem doadores de órgãos em um futuro. Além disso, o Estado pode investir em campanhas midiáticas públicas que veiculem na televisão e na internet, abordando histórias de vidas salvas com os transplantes de órgãos e a demora na fila de espera de um órgão, para que o assunto não seja mais um tabu entre as famílias e comece a ser discutido na casa de cada brasileiro. Assim, o Brasil aumentará o número de doadores no futuro e reduzirá a fila de espera para um órgão.