Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 27/08/2018

A desinformação da população e as dificuldades na captação de órgãos estão entre os diversos dilemas que entravam a doação de órgãos, vale frisar ainda que os tabus acerca da morte têm grande relevância no impasse das pessoas de discutir sobre este assunto. Por consequência, vidas que poderiam ser salvas são ceifadas diariamente. Faz- se necessário, portanto, uma preparação específica da população voltada para a conscientização da doação e órgãos.

Segundo dados da Agência Brasil, o número de transplantes realizados no Brasil cresceu nos últimos dez anos, mas apesar desse aumento, a demanda ainda é maior que a oferta. Estima-se que apenas um a cada quatro transplantes de coração necessários são realizados. Para que ocorra a realização da doação, uma das condições imprescindíveis é a constatação de forma técnica e precisa a morte encefálica do doador, e então a captação somente pode acontecer mediante autorização dos familiares  que por sua vez estão fragilizados pela perda do ente querido e não se sentem a vontade para discutir tal assunto, muitos acreditam até ser falta de respeito com a pessoa falecida.

Ademais, as dificuldades na captação de órgãos são inúmeras. Apesar de quase todos os transplantes serem realizados e financiados pelo Sistema Único de Saúde, possuir uma lista única,online com um sistema transparente que evita fraudes, ainda é um processo burocrático, são poucos hospitais centralizados para transplantes, a logística muitas vezes precária que atrapalha muito, pois, há órgãos que possui tempo curto de preservação fora do corpo.

Portanto, torna-se evidente que medidas precisam ser tomadas para a diminuição desses impasses. É necessário mudança nas leis brasileiras para que pessoas lúcidas e em sã consciência possam ter sua vontade de ser doador de órgãos respeitada, deixando registrados em cartório ou algo similar, atrelado a criação de campanhas permanentes pelo Ministério da Saúde, afim de que todas as pessoas se mantenham informadas sobre a quantidade de vidas que podem ser salvas com a doação de apenas um doador. Além disso, investimento do governo em hospitais especializados, pesquisas e processos que possam aumentar a eficiência na captação e implantação dos órgãos. Dessa forma será possível reduzir as filas de transplantes e chegar a uma sociedade mais consciente.